O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 acaba de ser divulgado, e os números de Goiás merecem atenção. Em 2025, o estado viu crescer em ritmo acelerado os registros de abandono de incapaz e de exploração sexual infantil, enquanto a taxa de estupros contra crianças e adolescentes se manteve 26% acima da média nacional. Não se trata de alarmismo vazio: os dados são oficiais, e o crescimento em Goiás superou, em todos os indicadores, a média do país.
Os registros de abandono de incapaz envolvendo crianças e adolescentes cresceram 30,5% em Goiás, passando de 299, em 2024, para 389, em 2025. Apesar de a taxa goiana, de 22 casos por 100 mil pessoas de até 17 anos, permanecer abaixo da média nacional de 29,4, o crescimento em Goiás foi bem superior ao avanço registrado no país, de 18,5%.
O aumento atingiu todas as faixas etárias. Entre crianças de até 4 anos, os registros passaram de 76 para 99, alta de 32,3%. Na faixa de 5 a 9 anos, foram de 115 para 134; e, entre 10 e 13 anos, de 86 para 112. O maior salto ocorreu entre adolescentes de 14 a 17 anos: os casos dobraram de 22 para 44.
Exploração sexual infantil: alta de 30,1% em Goiás
As ocorrências de exploração sexual infantil subiram 30,1% em Goiás, de 37 para 48. O crescimento foi mais que o dobro da média brasileira, de 14,3%. Dos 48 casos goianos, 47 envolveram vítimas de 10 a 17 anos: foram 15 registros na faixa de 10 a 13 anos e 32 entre 14 e 17 anos.
Taxa de estupro 26% acima da média nacional
Goiás registrou 2.696 vítimas de estupro e estupro de vulnerável com até 17 anos. Houve queda de 6,2% diante dos 2.882 casos de 2024, mas a taxa estadual ficou em 152,7 por 100 mil crianças e adolescentes, 26% acima da média nacional de 121,3.
A faixa de 10 a 13 anos concentrou 1.201 vítimas, quase 45% do total. A taxa nesse grupo chegou a 292,6, também acima da brasileira, de 225,5.
O alerta da subnotificação
O Anuário alerta que a redução dos estupros deve ser analisada com cuidado diante da subnotificação. No país, 65,6% dos crimes contra menores de 14 anos ocorreram em residências e, nos registros que informaram a relação entre vítima e autor, 59,2% dos agressores eram parentes.
Por que esses números importam
O que os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram é um padrão preocupante. Enquanto a média nacional de abandono de incapaz cresceu 18,5%, Goiás avançou 30,5%. Na exploração sexual infantil, o estado cresceu 30,1%, contra 14,3% no Brasil. Mesmo com a queda nominal nos estupros, a taxa goiana segue muito acima da média.
Nós, como espectadores desse cenário, precisamos ir além da manchete. O fato de a taxa de abandono em Goiás ser menor que a média nacional não consola quando o crescimento é quase o dobro do país. E o dado de que 65,6% dos estupros contra menores de 14 anos ocorrem dentro de casa, com 59,2% dos agressores sendo parentes, revela uma violência que o sistema de segurança pública muitas vezes não consegue enxergar.
O que esperar do poder público
Os números são um recado direto para o governo estadual. A pergunta que fica é: como o estado de Goiás pretende enfrentar esse avanço? O crescimento em todas as faixas etárias de abandono e exploração sexual sugere que não se trata de um problema localizado, mas de uma tendência que exige políticas integradas de assistência social, saúde e segurança.
Perguntas Frequentes
Qual foi o aumento do abandono de incapaz em Goiás?
Os registros cresceram 30,5%, passando de 299 (2024) para 389 (2025).
Quantos casos de exploração sexual infantil foram registrados em Goiás em 2025?
Foram 48 casos, um aumento de 30,1% em relação a 2024.
Qual a taxa de estupro em Goiás para crianças e adolescentes?
A taxa foi de 152,7 por 100 mil menores de 18 anos, 26% acima da média nacional.
Qual faixa etária concentra mais vítimas de estupro em Goiás?
A faixa de 10 a 13 anos, com 1.201 vítimas, quase 45% do total.
Onde ocorre a maioria dos estupros contra menores de 14 anos no Brasil?
65,6% dos crimes ocorrem em residências, e 59,2% dos agressores são parentes.
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