O Brasil registrou 177 processos relacionados à violência política de gênero em 2026, de acordo com o novo painel da Justiça Eleitoral. Desde 2019, o país acumulou um total de 392 ações judiciais, originadas em 224 municípios distribuídos por 21 estados brasileiros. Atualmente, 219 processos estão em tramitação, abordando casos de assédio, constrangimento, perseguição ou ameaça contra candidatas ou detentoras de mandato eletivo.
Estes dados foram divulgados durante a mobilização "Violência Política TEM gênero", organizada pela comissão TSE Mulheres em parceria com a Ouvidoria do TSE e a Procuradoria-Geral Eleitoral em Brasília. A juíza Renata Gil, coordenadora da comissão TSE Mulheres, destacou que o painel está em aprimoramento para identificar e combater todos os casos de violência política de gênero no país. O objetivo é mapear as "ondas de calor" onde os crimes ocorrem com maior frequência, permitindo pesquisas futuras para entender a ausência de registros em alguns estados.
Durante um debate no evento, a ministra Estela Aranha, do TSE, ressaltou o impacto desestimulador dessa violência na participação feminina na política. Ela explicou que a intimidação e o constrangimento moral não apenas afetam as mulheres individualmente, mas também atingem a coletividade, desencorajando outras mulheres a ingressarem na vida pública. A procuradora regional da República, Raquel Branquinho, complementou, apontando que as mulheres são minoria em todos os espaços e parlamentos, com mais de 700 municípios sem nenhuma participação política feminina e apenas 16% de prefeitas no país.
O presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, reconheceu a necessidade de mais trabalho na área. Para formalizar o compromisso, o TSE e a Procuradoria-Geral Eleitoral assinaram um protocolo de intenções visando a prevenção e o enfrentamento desses casos.
