# Especialistas ensinam sinais suicidas por fase da vida

> Psicóloga Luana Carvalho e psiquiatra Elaine Bida explicam que sinais de risco suicida variam conforme a fase da vida: adolescentes tendem a apresentar isolamento e queda no rendimento escolar; adultos, mudanças bruscas de humor e abuso de substâncias; idosos, verbalizações sobre morte e recusa alimentar. Identificar alterações no comportamento habitual e procurar apoio profissional são medidas centrais de prevenção.

*Catavento · Análises e Críticas · 14 de setembro de 2026 · Otávio Reinhardt Maia*

Psicóloga Luana Carvalho e psiquiatra Elaine Bida detalham como o sofrimento se manifesta em adolescentes, adultos e idosos. Reconhecer mudanças no comportamento habitual e buscar apoio profissional são passos centrais na prevenção.

Reconhecer os sinais de alerta da depressão grave pode ser o primeiro passo para salvar uma vida. É o que afirma a psicóloga e especialista em saúde mental Luana Carvalho, que atende pessoas em crise e vê na escuta atenta uma das ferramentas mais eficazes de prevenção ao suicídio.

Os sinais variam conforme a faixa etária, mas o critério central é a mudança de comportamento. Em adolescentes, é comum observar irritabilidade, isolamento, queda no rendimento escolar, alterações repentinas e conflitos mais intensos. Nos adultos, aparecem esgotamento, desesperança, afastamento das pessoas, perda de interesse e sensação de que não existe saída. Nos idosos, atenção ao isolamento, perda de autonomia, sentimentos de inutilidade, luto, abandono e falas sobre ser um peso para a família.

"Mas não devemos olhar apenas para a idade, precisamos observar a mudança em relação ao comportamento habitual daquela pessoa", afirma a psicóloga.

Segundo Luana, há dois passos concretos para ajudar quem tem pensamentos de autocídio. O primeiro é não deixar a pessoa sozinha e levar o sofrimento dela a sério, ouvindo sem julgamentos e mostrando que ela não precisa enfrentar tudo sozinha. O segundo é buscar ajuda profissional, com psicólogo ou psiquiatra. "Nesse momento, mais do que tentar encontrar as palavras perfeitas, o importante é estar presente e ajudar a pessoa a chegar até o cuidado adequado", explica.

Alguns comportamentos exigem atenção redobrada, sobretudo quando aparecem juntos ou representam mudança importante. Falar sobre morte, desaparecer, dizer que não quer mais viver ou que seria melhor não existir são alertas. Também entram isolamento, desesperança, alterações no sono e no apetite, perda de interesse, despedidas incomuns, organização de assuntos pessoais e doação de objetos de valor emocional.

A psiquiatra Elaine Bida, que atende em Brasília, lembra que cuidadores também precisam de suporte. Ela recomenda que a rede de apoio se cerque de alternativas de promoção de saúde mental, como exercícios, meditação, interações sociais e atividades em que possam se sentir úteis e acolhidos. "Manter a nossa saúde mental em dia é essencial para ajudar quem precisa sem nos sentirmos culpados ou responsáveis. A prevenção é o melhor remédio", afirma.

Luana reforça que ser pessoa de apoio não significa ser o tratamento. "Familiares e amigos podem acabar assumindo uma responsabilidade muito grande e acreditar que precisam resolver tudo sozinhos. Isso pode gerar ansiedade, culpa, exaustão e até sensação de impotência", diz. O cuidado, segundo ela, precisa ser compartilhado com profissionais.

Se você está passando por depressão, tendo pensamentos de suicídio ou conhece alguém nessa situação, procure apoio. É possível ligar ou conversar pelo chat dos serviços indicados ao final da reportagem original.

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Fonte (canonical): https://catavento.art.br/analises-e-criticas/especialistas-ensinam-como-reconhecer-sinais-suicidas-cada-fase-vida/
