# Estilo de vida ajuda a explicar por que algumas pessoas adoecem menos

> O estilo de vida saudável, incluindo alimentação equilibrada, sono regular e vacinação, reduz a frequência de doenças em comparação à genética isolada. A exposição prévia a vírus e a prática de hábitos preventivos fortalecem o sistema imunológico. Especialistas apontam que fatores comportamentais, como higiene e atividade física, explicam a variação na suscetibilidade individual a infecções.

*Catavento · Análises e Críticas · 03 de agosto de 2026 · Caio Sttédile Marques*

Por que algumas pessoas adoecem menos? Especialistas explicam que não é só genética: alimentação, sono, vacinação e exposição a vírus fazem diferença. Entenda.

## Estilo de vida ajuda a explicar por que algumas pessoas adoecem menos

No inverno, com maior circulação de vírus respiratórios, é comum ver pessoas gripadas, resfriadas ou com outras infecções. Ao mesmo tempo, sempre parece existir alguém que passa anos sem adoecer. Mas será que algumas pessoas realmente nascem com imunidade muito mais forte? Especialistas ouvidos pelo Metrópoles explicam que não é bem assim.

## A resposta direta: não é só genética

Em pessoas sem doenças que comprometam o sistema imunológico, a frequência com que alguém adoece costuma ser resultado de uma combinação de fatores. Entram genética, vacinação, alimentação, qualidade do sono, prática de atividade física, controle do estresse e até o grau de exposição a vírus e bactérias no dia a dia.

## O que os especialistas dizem sobre imunidade

A alergista e imunologista Raquel Letícia Tavares Alves, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, é direta: "Não existe necessariamente uma imunidade mais forte que a outra. O que existe é uma combinação de fatores que interfere na forma como cada pessoa responde às infecções".

A infectologista Sumire Sakabe, do Hospital Nove de Julho, também em São Paulo, acrescenta que uma mesma pessoa pode adoecer mais ou menos dependendo da fase da vida. "Pessoas melhor nutridas, mais descansadas, vacinadas e sem doenças crônicas tendem a apresentar menos infecções respiratórias", aponta.

## O ambiente muda a exposição a vírus

O ambiente também faz diferença. Uma professora que convive diariamente com crianças tende a entrar em contato com muito mais vírus do que alguém que trabalha em home office. Quem utiliza transporte público todos os dias costuma ter exposição maior a microrganismos do que quem transita de carro ou moto.

É comum, por exemplo, que crianças que quase não ficavam resfriadas passem a apresentar várias infecções depois de começar a frequentar creches ou escolas.

## Como o corpo se defende naturalmente

Entrar em contato com um vírus ou bactéria não significa, necessariamente, desenvolver uma infecção. Em muitos casos, o organismo consegue impedir que o agente causador avance. A primeira linha de defesa é formada por barreiras naturais: pele, mucosa, pelos do nariz, cílios das vias respiratórias e amígdalas.

Quando essas barreiras não são suficientes, entram em ação outros mecanismos. "O corpo ativa uma resposta celular para tentar conter a infecção. Se isso não for suficiente, passa a produzir anticorpos capazes de neutralizar vírus e bactérias", explica Sumire.

## O papel da imunidade adquirida

O infectologista Werciley Júnior, do Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília, lembra que essa proteção também depende da imunidade adquirida, construída ao longo da vida. "Ela é formada principalmente pelos anticorpos produzidos após vacinas e contatos prévios com vírus e bactérias. Isso ajuda o organismo a responder mais rapidamente quando ocorre uma nova exposição".

## O mito de turbinar a imunidade

A promessa de "turbinar" o sistema imunológico aparece com frequência em suplementos, vitaminas e até terapias intravenosas. Segundo Raquel, boa parte dessas estratégias não tem comprovação científica. "Há muitos mitos sobre fortalecer a imunidade. Não existem evidências de que alimentos específicos, suplementos ou outras soluções da moda façam o sistema imunológico funcionar acima do seu potencial".

Algumas suplementações e aplicações intravenosas podem até provocar efeitos adversos, sem oferecer benefícios comprovados para a maioria das pessoas.

## O que realmente funciona

Hábitos saudáveis ajudam o organismo a funcionar da forma esperada, mas não criam imunidade superior. "Dormir bem, praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada e seguir o calendário de vacinação contribuem para o bom funcionamento do sistema imunológico. É diferente de dizer que eles aumentam a imunidade além do normal", ressalta Raquel.

Na prática, quem quer adoecer menos precisa olhar para o conjunto: vacinação em dia, sono regular, alimentação equilibrada, atividade física e controle do estresse. Nada de soluções milagrosas hábitos saudáveis para imunidade.

## Perguntas Frequentes

### Algumas pessoas nascem com imunidade mais forte?

Segundo especialistas, não existe necessariamente uma imunidade mais forte que a outra. O que existe é uma combinação de fatores que interfere na resposta às infecções.

### Estilo de vida pode reduzir infecções respiratórias?

Sim. Pessoas melhor nutridas, mais descansadas, vacinadas e sem doenças crônicas tendem a apresentar menos infecções respiratórias.

### Suplementos turbinam o sistema imunológico?

Não há evidências de que alimentos específicos, suplementos ou soluções da moda façam o sistema imunológico funcionar acima do potencial.

### Como o corpo se defende de vírus e bactérias?

A primeira linha de defesa são barreiras naturais, como pele e mucosa. Se o agente avança, o corpo ativa resposta celular e produz anticorpos.

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Fonte (canonical): https://catavento.art.br/analises-e-criticas/estilo-vida-ajuda-explicar-por-algumas-pessoas-adoecem-menos/
