# Exportações brasileiras para a União Europeia avançam 26% com acordo Mercosul-UE

> O acordo Mercosul-UE impulsionou as exportações brasileiras para a União Europeia em 26% nos dois primeiros meses, gerando um aumento de US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) em relação a 2025. Levantamento da ApexBrasil identificou oportunidades em todos os estados brasileiros, com destaque para Santa Catarina e São Paulo.

*Catavento · Análises e Críticas · 20 de julho de 2026 · Benedita Lopes Aragão*

As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) nos dois primeiros meses do acordo Mercosul-UE, alta de 26% sobre 2025. Levantamento da ApexBrasil aponta oportunidades em todos os estados, com destaque para Santa Catarina e São Paulo.

## Exportações brasileiras para a União Europeia avançam após acordo Mercosul-UE

As exportações brasileiras para a União Europeia registraram um crescimento de US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) nos meses de maio e junho, os dois primeiros do período de aplicação provisória do acordo comercial Mercosul-UE. O avanço de 26% em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com levantamento exclusivo da ApexBrasil, sinaliza um impacto positivo da redução tarifária no fluxo comercial.

No acumulado do primeiro semestre, as vendas do Brasil ao bloco europeu totalizaram US$ 26,9 bilhões (R$ 137 bilhões), representando um aumento de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões), ou 12,8%, em relação ao mesmo intervalo de 2025.

## Acordo Mercosul-UE começa a mostrar resultados

Laudemir André Müller, presidente da ApexBrasil, embora evite atribuir o progresso exclusivamente ao acordo UE-Mercosul, ressalta a existência de "muitos indícios" de que a diminuição das tarifas já está influenciando o intercâmbio comercial entre o Brasil e os países europeus. Para Müller, seria "muita coincidência" que US$ 2 bilhões dos US$ 3 bilhões de crescimento observados no semestre tenham ocorrido precisamente em maio e junho, meses que marcam o início da aplicação provisória do acordo.

O pacto começou a ser implementado em 1º de maio, com a eliminação ou redução imediata de tarifas para milhares de produtos. Para sua validação definitiva, o acordo ainda depende da aprovação do Tribunal de Justiça da Europa e do Parlamento Europeu.

## Diversificação de mercados ganha força

O governo brasileiro e o setor privado esperam que essa abertura comercial fortaleça a competitividade dos exportadores e incentive a diversificação de parceiros. Tal estratégia é crucial em um cenário de maior instabilidade no comércio internacional, como o provocado por políticas de governos anteriores.

A imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, por exemplo, reforça a importância de expandir o acesso a outros mercados. No primeiro semestre, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 17,4 bilhões, uma queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025, contrastando com o desempenho positivo em outras regiões.

Müller explica que a estratégia da ApexBrasil, desde o início das tensões comerciais, tem sido incentivar as empresas a diversificar seus destinos de exportação, com a União Europeia figurando como um dos focos principais. Ele enfatiza que, embora os Estados Unidos "continuem sendo importantes", o cenário geopolítico exige a redução da dependência de um único mercado e a ampliação da presença brasileira na Europa, Ásia e Índia.

Segundo o presidente da agência, 72% das 2.400 empresas acompanhadas pela ApexBrasil passaram a exportar para pelo menos um novo mercado desde o início das turbulências globais.

## Vantagem competitiva com a redução de tarifas

Müller destaca que o acordo elimina uma desvantagem histórica do Brasil frente a concorrentes que já desfrutavam de preferências tarifárias com a União Europeia. "Sem nenhum acordo com a Europa, você acaba tendo uma dificuldade. [...] A gente passa a fazer parte de um clube diferente", afirma.

Além do aumento no valor total exportado para a UE, a pauta de exportação brasileira para o bloco europeu demonstrou maior diversidade no fim do primeiro semestre. A lista de itens com maior crescimento inclui bens industriais, químicos, siderúrgicos e máquinas.

Isso sugere que a redução de tarifas pode beneficiar segmentos de maior valor agregado, tradicionalmente apontados como potenciais ganhadores do acordo. Na comparação do primeiro semestre deste ano com o mesmo período de 2025, produtos como mel (+246,7%), partes de turborreatores (+141,9%) e óleo essencial de laranja (+110,1%) registraram os maiores avanços.

Outros itens que tiveram crescimento expressivo nas vendas para a União Europeia foram manga (+36,5%), extrato de café (+36%) e partes para motores a diesel (+19,1%).

## Oportunidades para cada estado

Um estudo da ApexBrasil, obtido pela Folha, identificou diversas oportunidades geradas pelo acordo em todo o país. Em um recorte das principais potencialidades, São Paulo apresenta 127 oportunidades comerciais para produtos estaduais no mercado europeu, sendo o segundo maior número, atrás apenas de Santa Catarina, com 167.

A agência define "oportunidade" como um produto que já possui produção e exportação consolidadas em um estado para algum mercado internacional e que, com a redução tarifária do acordo, ganha potencial para expandir suas vendas ao bloco europeu.

O levantamento revela ainda que São Paulo detém a maior base de empresas já atuantes no mercado europeu, com aproximadamente 4.000 exportadoras. A maior parte das oportunidades identificadas para o estado concentra-se na indústria de transformação: 96 são para produtos industriais e 31 para o agronegócio.

Segundo a ApexBrasil, esse cenário reflete tanto o perfil da economia paulista quanto a estrutura do acordo, que prevê uma abertura tarifária mais ágil para bens industriais do que para produtos agropecuários.

Para ser incluído no estudo, o produto deveria ser exportado pelo estado para qualquer mercado, mesmo que não para a UE. A metodologia foi conservadora para evitar sugerir oportunidades em setores sem capacidade produtiva ou exportadora consolidada.

### Regiões com maior potencial de expansão

Com base nesses critérios, o maior potencial de expansão de vendas para a UE está concentrado na região Sul do Brasil. Após Santa Catarina, destacam-se Paraná (76) e Rio Grande do Sul (74). Esses três estados também figuram entre os que possuem o maior número de empresas já exportadoras para o bloco europeu, indicando uma base produtiva mais preparada para aproveitar de imediato a redução das tarifas.

No Nordeste, a situação é mais heterogênea. Bahia (67 oportunidades), Ceará (69) e Pernambuco (53) mostram um potencial relevante, impulsionados por setores industriais e agroindustriais específicos. Contudo, estados como Maranhão (13), Piauí (7) e Alagoas (13) registram um número significativamente menor de oportunidades, refletindo uma pauta exportadora menos diversificada.

## Perguntas Frequentes

### O acordo Mercosul-UE já está valendo?

Sim, o acordo começou a ser implementado em 1º de maio de 2026, com aplicação provisória. A validação definitiva depende da aprovação do Tribunal de Justiça da Europa e do Parlamento Europeu.

### Quanto cresceram as exportações para a UE no primeiro semestre?

As exportações brasileiras para a União Europeia totalizaram US$ 26,9 bilhões (R$ 137 bilhões) no primeiro semestre de 2026, um aumento de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões), ou 12,8%, em relação ao mesmo período de 2025.

### Quais produtos mais se beneficiaram com o acordo?

Produtos como mel (+246,7%), partes de turborreatores (+141,9%) e óleo essencial de laranja (+110,1%) registraram os maiores avanços nas vendas para a UE. Também cresceram manga (+36,5%), extrato de café (+36%) e partes para motores a diesel (+19,1%).

### Qual estado tem mais oportunidades com o acordo?

Santa Catarina lidera com 167 oportunidades identificadas pela ApexBrasil, seguido por São Paulo (127), Paraná (76) e Rio Grande do Sul (74).

### Como a queda nas exportações para os EUA se relaciona com o acordo?

No primeiro semestre, as exportações para os EUA caíram 13%, somando US$ 17,4 bilhões. O acordo com a UE é visto como uma estratégia para diversificar mercados e reduzir a dependência de um único parceiro comercial.

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Fonte (canonical): https://catavento.art.br/analises-e-criticas/exportacoes-brasileiras-uniao-europeia-avancam-apos-acordo-mercosul-ue/
