# Filmes paternidade maternidade: 9 obras que tocam a fundo

> A lista de 9 filmes sobre paternidade e maternidade apresenta obras que exploram o tema com profundidade, afastando-se de clichês e maniqueísmos. Cada longa-metragem aborda aspectos como luto, comédia e fracasso na criação de filhos, oferecendo perspectivas complexas sobre cuidar e educar. A curadoria prioriza narrativas que tocam o espectador sem simplificar as relações familiares.

*Catavento · Análises e Críticas · 10 de agosto de 2026 · Fábio Drummond Nóbrega*

Paternidade e maternidade no cinema vão além do clichê. Esta lista reúne 9 filmes que tratam o tema com complexidade, sem maniqueísmo. Do luto à comédia, cada obra oferece um olhar específico sobre criar, cuidar e falhar.

Paternidade e maternidade são temas que o cinema trata há décadas, mas poucos filmes conseguem escapar do clichê do pai ausente ou da mãe abnegada. A seleção abaixo reúne 9 obras que abordam a criação de filhos com complexidade, sem maniqueísmo. Há drama, comédia e até fantasia, sempre com um olhar crítico sobre o papel parental.

## 1. Pequena Mamãe (2021)

A diretora Céline Sciamma constrói um conto delicado sobre luto e infância. Nelly, de 8 anos, perde a avó e encontra uma menina idêntica a ela na floresta. A amizade entre as duas permite que a protagonista conheça a mãe quando criança, entendendo suas dores sem julgamento.

O filme dura 72 minutos e não explica a fantasia, o que o torna mais poético. Em vez de resolver o mistério, Sciamma aposta na empatia entre gerações. A maternidade aqui é vista como herança de afetos e silêncios, não como obrigação.

## 2. Ainda Estou Aqui (2024)

A adaptação do livro de Marcelo Rubens Paiva, dirigida por Walter Salles, coloca a maternidade no centro de um drama político. Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres, sustenta a família após o desaparecimento do marido durante a ditadura militar.

O filme não romantiza a mãe heroica. Eunice falha, se esgota e ainda assim segue. A obra mostra como o cuidado parental se torna ato de resistência em contexto autoritário, sem transformar a personagem em símbolo vazio.

## 3. As 4 Filhas de Olfa (2023)

Kaouther Ben Hania mistura documentário e ficção para contar a história de Olfa, mãe tunisiana de quatro filhas. Duas delas desapareceram após se juntarem ao Estado Islâmico. A diretora usa atrizes para preencher as lacunas das ausentes.

O resultado é um retrato cru sobre maternidade e culpa. Olfa é autoritária, contraditória e profundamente humana. O filme não oferece respostas fáceis, mas expõe as fraturas de uma relação familiar marcada por escolhas políticas e afetivas.

## 4. Papai é Pop (2021)

A comédia estrelada por Marcos Caruso e Ingrid Guimarães parte do título para discutir paternidade, mas desloca o foco para a mãe que se sente sozinha na jornada. O filme acompanha um pai avô que precisa reaprender a conviver com a filha adulta e o neto.

A produção brasileira acerta ao mostrar que o cuidado parental não é automático. O personagem de Caruso erra, é corrigido e tenta de novo. O humor funciona como porta de entrada para uma reflexão sobre divisão de tarefas e afeto.

## 5. Pérola (2017)

Murilo Benício dirige um drama sobre a relação entre um pai e sua filha com paralisia cerebral. O filme acompanha a rotina de cuidados, as dificuldades financeiras e o isolamento social que a condição impõe à família.

O longa evita o tom de superação barata. Em vez disso, mostra a exaustão física e emocional do pai, interpretado por Benício. A paternidade aqui é apresentada como trabalho contínuo, não como gesto heroico pontual.

## 6. O Filho Eterno (2016)

Baseado no livro de Cristovão Tezza, o filme acompanha um pai em conflito com o diagnóstico de síndrome de Down do filho. A narrativa é dura ao expor o ressentimento inicial do protagonista, que precisa reconstruir sua ideia de paternidade.

O longa brasileiro não suaviza as falhas do pai. Ele é egoísta, impaciente e, aos poucos, se transforma. A obra é relevante porque mostra que o vínculo parental não nasce pronto, mas se constrói com erros e acertos.

## 7. Turma da Mônica: Laços (2019)

A adaptação dos quadrinhos de Vitor e Lu Cafaggi coloca a maternidade em segundo plano, mas com função estrutural. A mãe do Cebolinha, Dona Cera, aparece como figura que preocupa, mas também como limite afetivo que o menino precisa testar.

O filme funciona para discutir paternidade de forma indireta. A busca por Floquinho, o cachorro perdido, é uma metáfora da infância que se despede. A relação entre os pais e os filhos é mostrada com leveza, sem idealização.

## 8. Minha Mãe é uma Peça (2013)

A adaptação do monólogo de Paulo Gustavo se tornou fenômeno de bilheteria no Brasil. Dona Hermínia é uma mãe superprotetora, dramática e profundamente cômica. O filme funciona porque a personagem não é caricata, mas reconhecível.

A obra discute maternidade a partir do excesso. Hermínia invade a privacidade dos filhos, mas também é quem segura a casa. O humor permite que o público ria das próprias relações familiares sem desqualificar o cuidado materno.

## 9. O Filho (2019)

O drama belga dirigido por Alexander Payne acompanha um pai que tenta se reconectar com o filho após anos de distância. O reencontro expõe mágoas antigas e a dificuldade de reparar o que foi quebrado.

O filme não oferece final redentor. O pai falha, o filho resiste, e a relação permanece aberta. Essa ausência de conclusão é o que torna a obra honesta sobre paternidade: nem todo vínculo se cura, mas o esforço ainda tem valor.

## Qual escolher conforme o caso

Se você busca um drama político com mãe forte, comece por Ainda Estou Aqui. Para uma reflexão poética sobre luto e maternidade, Pequena Mamãe é a escolha. Quem prefere humor com crítica social encontra em Papai é Pop e Minha Mãe é uma Peça opções leves, mas não superficiais.

Para pais que enfrentam desafios específicos, O Filho Eterno e Pérola oferecem identificação direta. As 4 Filhas de Olfa é a mais dura, indicada para quem quer sair da zona de conforto. Turma da Mônica: Laços funciona para assistir com crianças, sem abrir mão da complexidade.

## FAQ

### Qual filme brasileiro sobre paternidade é mais indicado?

O Filho Eterno é a escolha mais forte para discutir paternidade no cinema nacional. O longa expõe as falhas do pai sem julgamento moral. Papai é Pop também funciona, mas com tom mais leve. A escolha depende do que você quer priorizar: drama ou comédia.

### Existe filme sobre maternidade que não seja dramático?

Minha Mãe é uma Peça é a opção mais leve, mas ainda assim discute maternidade com profundidade. Pequena Mamãe, da francesa Céline Sciamma, mistura fantasia e drama sem pesar. A comédia não diminui a complexidade do tema.

### Qual filme aborda a relação entre pai e filho com deficiência?

Pérola, de Murilo Benício, é o exemplo mais direto. O filme mostra a rotina de cuidados e a exaustão do pai. O Filho Eterno também trata do tema, mas foca na síndrome de Down e no luto do pai pela ideia de filho perfeito.

### Ainda Estou Aqui é um filme sobre maternidade?

Sim, embora o contexto político seja central. A personagem de Fernanda Torres exerce a maternidade em meio à repressão. O filme mostra como o cuidado parental se torna ato político de resistência, sem romantizar a mãe.

### Qual filme é melhor para assistir com crianças?

Turma da Mônica: Laços é a opção mais adequada. A história é acessível, mas não subestima o público infantil. A relação com os pais aparece de forma orgânica, sem lição de moral. Pequena Mamãe também pode funcionar, mas exige mais mediação.

### Há algum filme desta lista que fuja do clichê do pai ausente?

O Filho, de Alexander Payne, mostra um pai que tenta se reconectar, mas falha. Papai é Pop também desconstrói a ideia do pai que não participa. Ambos tratam a paternidade como processo, não como estado fixo.

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Fonte (canonical): https://catavento.art.br/analises-e-criticas/filmes-paternidade-maternidade-9-obras-que-tocam-a-fundo/
