Liberdade das coisas | Psicologia hoje
A liberdade das coisas, segundo a psicologia contemporânea, reside na constatação de que a realidade nunca se fixa em formas identificáveis. Assim como a fumaça do incenso, tudo está em constante transformação. O que chamamos de 'momento presente' desaparece antes que possamos defini-lo, libertando-nos da ilusão de estarmos à mercê de problemas fixos.
O que a psicologia diz sobre a impermanência da experiência
Imagine um bastão de incenso queimando. A fumaça sobe e, por um instante, parece formar algo, mas nunca assume forma fixa. Está sempre se remodelando. Nossa experiência é assim: as coisas parecem reconhecíveis, mas quando tentamos defini-las, elas se dissolvem.
Pensar que sabemos o que as coisas são é pura fantasia. O que rotulamos como objetos fixos está, como a fumaça, continuamente se dissolvendo. O mundo aparece como algo que podemos compreender com palavras, mas isso é apenas metade da história.
Por que o momento presente nunca pode ser apreendido
Tente evitar que o momento presente se torne outra coisa. Tente mantê-lo no lugar para descrevê-lo. Você verá a absoluta impossibilidade disso. O que chamamos de 'momento presente' não pode ser considerado uma 'coisa' devido ao seu dinamismo inerente.
Veja agora: você está lendo estas palavras. Mas onde estão os últimos cinco segundos? Desapareceram. O último segundo? Também. Um milionésimo de segundo? Perdido. Não há tempo suficiente para dizer algo definitivo sobre o que está acontecendo.
A ilusão da coerência e o papel da linguagem
Apesar disso, a realidade parece coerente. Temos um dicionário inteiro para descrever o que vivemos. Podemos contar sobre o dia um ao outro. Há beleza nessa capacidade de saber aparentemente o que as coisas são e usar a linguagem para descrevê-las.
No entanto, não conseguimos realmente fazer isso. A frase 'Estou sentado aqui na minha cadeira, escrevendo estas palavras' baseia-se na crença de que é possível resolver o que cada elemento, eu, a cadeira, sentar, escrever, é. Quando olhamos para a experiência, a realidade nunca se transforma em algo particular. O surgimento do momento é também seu desaparecimento.
A liberdade que surge da impermanência
Esta descoberta é libertadora. Nossa sensação de estarmos oprimidos ou à mercê de coisas baseia-se na crença de que sabemos que existe algo para nos oprimir. Literalmente, não existe. Os aspectos problemáticos da vida nunca se tornam realmente nenhuma das coisas que imaginamos. Aí reside nossa liberdade, a liberdade das coisas.
Adaptado do livro Tudo é a porta.
Perguntas Frequentes
O que significa 'liberdade das coisas' na psicologia?
É a constatação de que a realidade nunca se fixa em formas identificáveis, libertando-nos da ilusão de estarmos à mercê de problemas fixos.
Como a fumaça do incenso ilustra esse conceito?
Assim como a fumaça nunca assume forma fixa, nossa experiência está em constante transformação, sem que possamos apreendê-la como coisa.
Por que o momento presente não pode ser descrito?
Porque ele desaparece antes que possamos defini-lo. Não há tempo suficiente para dizer algo definitivo sobre como ou o que ele é.
A linguagem consegue capturar a realidade?
A linguagem nos dá a impressão de coerência, mas quando olhamos de perto, cada palavra se baseia na crença de que é possível resolver o que as coisas são, o que é impossível.
Essa visão é compatível com a vida prática?
Sim. A vida parece coerente, e podemos participar dela. Mas a descoberta de que nada é fixo nos liberta da sensação de estarmos oprimidos por problemas que, na verdade, nunca se fixam.
