# Meteorologistas dizem que não é possível associar ventanias ao El Niño

> Meteorologistas do Inmet e Cemaden afirmam que ventanias de até 105 km/h em Rio e São Paulo foram causadas por linha de instabilidade, não pelo El Niño. O fenômeno climático pode influenciar indiretamente a frequência de frentes frias, mas associação direta com ventos extremos não é possível de ser comprovada.

*Catavento · Análises e Críticas · 30 de julho de 2026 · Otávio Reinhardt Maia*

Meteorologistas do Inmet e Cemaden explicam que ventanias de até 105 km/h em Rio e São Paulo foram causadas por linha de instabilidade, não pelo El Niño. Fenômeno climático pode influenciar indiretamente a frequência de frentes frias, mas relação direta é difícil de provar.

## Meteorologistas dizem que não é possível associar ventanias ao El Niño

Fortes ventos provocaram estragos e mortes nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo na tarde de quarta-feira, 30 de julho de 2026. Uma estação meteorológica da capital fluminense registrou ventos de 105 km/h. Meteorologistas do Inmet e Cemaden afirmam que o evento foi causado por uma linha de instabilidade, não pelo El Niño.

## Por que os ventos não têm relação direta com o El Niño?

Segundo Suellen Araujo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o evento foi provocado pela formação de uma zona de baixa pressão atmosférica na região, associada ao deslocamento do ar nas camadas superiores da atmosfera, chamado de "escoamento". "A conjunção desses fatores auxiliou realmente na formação dessa instabilidade, que trouxe essas rajadas bem intensas. Inclusive, tivemos rajadas em torno de 100 km/h em ambos os estados", explicou a meteorologista.

O coordenador geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, destaca que as rajadas de vento se formaram a partir de uma linha de estabilidade. "É uma linha de tempestades alinhadas, como o nome indica, uma ao lado da outra, que se formaram sobre uma frente fria que estava na Região Sul do Brasil. Essa linha de tempestades formou o que se chama uma frente de rajada, que foi a ventania que nós sentimos ontem à tarde", esclareceu.

Ele explica que a frente de rajada avança mais rápido que a linha de nuvens da tempestade e que a tempestade, em si, nem ocorreu. "Aqui onde nós estamos, no Vale do Paraíba [em São José dos Campos-SP], choveu mais no final da tarde e início da noite. Choveu um pouco, que foi o que restou daquela linha de tempestades que foi dissipando conforme elas foram avançando para o norte. Elas começaram lá no Paraná, Santa Catarina, mas, avançando para o norte, elas foram dissipando", disse Seluchi.

## O que dizem os especialistas sobre o El Niño?

Tanto a meteorologista do Inmet quanto o coordenador do Cemaden avaliam que não é possível, ainda, associar o evento de quarta-feira ao El Niño, um fenômeno recorrente que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico, de tempos em tempos, e que provoca alterações no clima global. Neste ano, espera-se um El Niño mais intenso. Segundo a Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (Noaa), há uma probabilidade grande de que nesta temporada o El Niño seja o mais forte dos últimos 76 anos.

"Teria que fazer uma avaliação um pouco mais minuciosa para poder verificar se [os ventos fortes de Rio e São Paulo] tem alguma coisa relacionada a esse fenômeno", afirma Suellen Araujo.

## A relação indireta das frentes frias com o El Niño

Segundo Seluchi, é difícil estabelecer uma relação direta dos ventos fortes com o El Niño. Ele esclarece, entretanto, que a linha de tempestades que provocou a ventania se formou a partir de uma frente estacionária que estava sobre o sul do Brasil. "A frequência com que essas frentes estacionárias estão atuando na Região Sul já tem a ver com o fenômeno do El Niño. As frentes estão se tornando estacionárias com mais frequência, está chovendo com mais frequência e mais volume na Região Sul. E a linha de instabilidade é um efeito secundário, digamos, da presença dessas frentes na região sul", disse.

Seluchi ressalta, no entanto, que a linha de instabilidade e as rajadas de vento são fenômenos que podem acontecer em qualquer época do ano. "Acontece também em anos que não são do El Niño. A relação [das rajadas de vento] com o El Niño é mais difícil de estabelecer. Eu acho [que tem], mas é difícil provar que essa uma relação indireta".

## O que diz a pesquisa acadêmica sobre o fenômeno?

O meteorologista Thiago Sousa, doutorando da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), entende que é preciso ter estudos mais profundos para encontrar uma possível vinculação entre a ventania e o El Niño. "Não tem como afirmar e nem contrariar essa correlação, que precisa ser estudada para depois, mais a frente, para se relacionar com o Super El Niño", disse.

## Perguntas Frequentes

### O que causou os ventos fortes em Rio e São Paulo?

Segundo meteorologistas do Inmet e Cemaden, os ventos foram provocados por uma linha de instabilidade associada a uma frente fria que estava sobre a Região Sul do Brasil.

### Os ventos têm relação com o El Niño?

Não é possível afirmar uma relação direta. Especialistas dizem que o El Niño pode influenciar indiretamente a frequência de frentes frias, mas a ventania em si não pode ser atribuída ao fenômeno.

### Qual foi a velocidade dos ventos registrada?

Uma estação meteorológica da capital fluminense registrou ventos de 105 km/h, com rajadas em torno de 100 km/h em ambos os estados.

### O que é o El Niño?

É um fenômeno recorrente que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico, de tempos em tempos, e que provoca alterações no clima global.

### O El Niño será mais forte este ano?

Segundo a Noaa, há uma probabilidade grande de que nesta temporada o El Niño seja o mais forte dos últimos 76 anos.

### O que é uma linha de instabilidade?

É uma linha de tempestades alinhadas que se formam sobre uma frente fria, podendo gerar frentes de rajada com ventos intensos.

---

Fonte (canonical): https://catavento.art.br/analises-e-criticas/meteorologistas-dizem-nao-possivel-associar-ventanias-ao-el-nino/
