# Mulheres de minorias raciais fazem menos exercícios no tempo livre, revela estudo da USP

> Estudo da USP revela que mulheres de minorias raciais com baixa escolaridade apresentam os menores índices de atividade física no tempo livre. A pesquisa, que acompanhou quase mil pessoas por uma década, indica que o exercício no lazer é um privilégio de grupos socialmente favorecidos.

*Catavento · Análises e Críticas · 21 de julho de 2026 · Lúcia Hartmann Veloso*

Estudo da USP revela que mulheres de minorias raciais com baixa escolaridade têm os menores índices de atividade física no tempo livre. A pesquisa, que acompanhou quase mil pessoas por uma década, mostra que o exercício no lazer é um privilégio de grupos socialmente favorecidos, 

## Mulheres de minorias raciais fazem menos exercícios no tempo livre, revela estudo da USP

Um estudo da USP, a Universidade de São Paulo, que acompanhou quase mil pessoas ao longo de dez anos, constatou que mulheres de minorias raciais - como pretas, pardas, amarelas e indígenas - com baixa escolaridade têm os menores índices de atividade física no tempo livre. A pesquisa revela que o exercício no lazer é um privilégio de grupos mais favorecidos socialmente, como homens brancos com maior escolaridade.

Entre 2014 e 2024, a prática de atividade física cresceu entre a população de São Paulo, mas esse aumento foi consideravelmente maior entre grupos socialmente favorecidos. A nutricionista e pesquisadora da USP, Andreia Miranda, ressalta que as desigualdades não apenas persistiram ao longo de uma década, como se tornaram ainda mais evidentes.

## Atividade física como reflexo de desigualdades

"Nosso estudo mostra que a atividade física não é apenas uma escolha individual, ela também reflete as desigualdades que existem na sociedade", afirma Andreia Miranda. "Sabemos que a prática de atividade física no lazer depende de tempo livre, acesso a espaços adequados, segurança, recursos financeiros e oportunidades para se exercitar."

Além do fator econômico, a questão de gênero também foi determinante. Mulheres que acumulam jornadas duplas ou triplas de trabalho, com o cuidado da casa e dos filhos, têm ainda menos tempo para lazer e para a prática da atividade física.

## Acesso a espaços públicos e o papel das políticas públicas

A desigualdade também está presente no acesso a espaços públicos para a prática de exercícios. Políticas públicas poderiam reduzir esse abismo, como explica a pesquisadora: "O acesso a espaços seguros e gratuitos para a prática de atividade física é fundamental para reduzir essas desigualdades. É preciso garantir que eles estejam presentes, sobretudo, nas regiões mais vulneráveis da cidade, que sejam seguros, bem cuidados e acessíveis também para mulheres, idosos e populações mais desfavorecidas."

Os dados, divulgados em artigo publicado em uma revista científica internacional da área de nutrição e atividade física, mostram que a diferença é menor quando se analisa a prática de exercício associada ao transporte urbano, como nas caminhadas. Porém, para os grupos mais desfavorecidos, caminhar para se deslocar não é uma ação pensada como forma de promover a saúde ou o lazer, mas uma necessidade relacionada à falta de acesso ao transporte público e à mobilidade urbana.

## Perguntas Frequentes

### Por que mulheres de minorias raciais fazem menos exercícios?

O estudo da USP aponta que a falta de tempo livre, recursos financeiros, segurança e acesso a espaços adequados são barreiras principais.

### Qual foi o período do estudo da USP?

A pesquisa acompanhou o mesmo grupo de quase mil pessoas ao longo de dez anos, entre 2014 e 2024.

### O que Andreia Miranda, pesquisadora da USP, diz sobre o tema?

Ela afirma que a atividade física reflete desigualdades sociais e que o acesso a espaços seguros e gratuitos é fundamental para reduzi-las.

### A caminhada é considerada atividade física no estudo?

Sim, mas para grupos desfavorecidos, caminhar para se deslocar é uma necessidade, não uma escolha de lazer.

### Como as políticas públicas podem ajudar?

Garantindo espaços seguros e gratuitos nas regiões mais vulneráveis, bem cuidados e acessíveis para mulheres, idosos e populações desfavorecidas.

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Fonte (canonical): https://catavento.art.br/analises-e-criticas/mulheres-minorias-raciais-fazem-menos-exercicios-tempo-livre/
