A Fundação do Câncer lançou, nesta quarta-feira (9), um boletim sobre o cenário do melanoma no Brasil. O epidemiologista Alfredo Scaff, consultor médico da instituição e coordenador do estudo "Melanoma, Nem Sempre na Pele", é quem assina a leitura dos indicadores.
Para 2026, são esperados cerca de 9 mil casos novos no país. Entre 1990 e 2021, o Brasil registrou mais de 1.300 casos de melanoma fora da pele, e o local mais atingido foi o olho. O melanoma ocular costuma ser silencioso, sem dor, e muitas vezes só é descoberto no exame de rotina.
O melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele e responde pela maior parte das mortes entre os tumores cutâneos. Também pode afetar outras estruturas do corpo, como as oculares e as mucosas.
Onde a doença mata mais
As regiões Norte e Centro-Oeste apresentam a maior letalidade pela doença no estudo, embora não liderem os índices de incidência no país. A região Sul tem as maiores taxas de incidência, ligadas à maior proporção de pele clara na população. Ou seja: mesmo adoecendo menos, quem vive no Norte e no Centro-Oeste corre mais risco de morrer, o que sinaliza desigualdade no acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
O Centro-Oeste apresenta também a maior letalidade do país para homens. E 20,2% dos pacientes precisam se deslocar para outras regiões em busca de tratamento oncológico, segundo o estudo, o que evidencia um gargalo de acesso à assistência especializada.
O Sudeste, por sua vez, lidera a realização de cirurgias como primeiro tratamento, com 89,6% dos casos.
O que os números dizem sobre a assistência
Para Alfredo Scaff, "as informações mostram que a incidência, isoladamente, não é suficiente para avaliar o impacto da doença. A disponibilidade de serviços especializados, o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado são fatores fundamentais para melhorar os resultados e reduzir as desigualdades regionais na assistência oncológica".
Manter uma consulta médica em dia é fundamental, sobretudo porque o melanoma ocular costuma se manifestar sem dor e sem sinais visíveis.
