Análises e Críticas

Jovens 'nem-nem' no Brasil: taxa cai para 22,4%, mas ainda é alta

O Brasil registrou uma queda de 4,4 pontos percentuais na taxa de jovens que não estudam nem trabalham, atingindo 22,4% em 2024. O dado, divulgado pela OCDE, ainda é considerado alto, quase o dobro da redução média observada em outros países.

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Jovens 'nem-nem' no Brasil: taxa cai para 22,4%, mas ainda é alta
Jovens 'nem-nem' no Brasil: taxa cai para 22,4%, mas ainda é altaFoto: Reprodução · Catavento

A taxa de jovens brasileiros que se encontram em uma situação de inatividade, sem estudar, trabalhar ou em treinamento, apresentou uma queda significativa entre 2016 e 2024. Segundo o relatório Panorama da Educação 2026 (Education at a Glance), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o índice para a faixa etária de 18 a 24 anos recuou 4,4 pontos percentuais, passando de 26,8% para 22,4%.

O Ministério da Educação (MEC) ressaltou que a redução observada no Brasil foi quase o dobro da média de 2,3 pontos registrada pela OCDE no mesmo período. Apesar do avanço, o superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, avalia que os resultados ainda são insuficientes. Ele aponta que mais de um quarto dos jovens adultos não possuem o ensino básico completo.

Ricardo Henriques sugere que a construção de uma trajetória para o jovem, que inclua aprendizado, conclusão da formação e inserção profissional digna, depende da articulação entre educação, proteção social e políticas de trabalho. Outro indicador positivo mencionado no estudo é a diminuição da proporção de jovens de 25 a 34 anos sem ensino médio completo, que caiu de 35% em 2016 para 26% em 2024. Contudo, este percentual ainda supera os 12% da média da OCDE.

O MEC atribui parte desses avanços à implementação de programas como o Pé-de-Meia e o Bolsa Família. O relatório da OCDE também destaca a diferença de gênero na conclusão do ensino médio no Brasil, onde mulheres têm 7 pontos percentuais a mais de probabilidade de concluir esta etapa educacional do que homens. A organização internacional aponta que 20% dos estudantes que iniciam o ensino médio no Brasil abandonam a escola sem se formar.

Em comparação internacional, 79% dos estudantes brasileiros que ingressaram no ensino médio concluíram a etapa em até dois anos após o tempo regular, enquanto a média da OCDE é de 85%. Quando analisados adultos de 25 a 64 anos com ensino médio completo, a proporção brasileira de 40% em 2024 é similar à média de 39% dos países da OCDE. No entanto, apenas 22% dos brasileiros nesta faixa etária possuíam ensino superior completo, menos da metade da média de 43% dos países da OCDE.

Henriques enfatiza que a distância entre o Brasil e os países da OCDE reflete um passivo educacional histórico e que a superação de suas consequências exige ações integradas, incluindo o fortalecimento do ensino médio e a ampliação do acesso ao ensino superior com cursos flexíveis e apoio financeiro. A OCDE recomenda o monitoramento rigoroso da frequência escolar e do desempenho dos estudantes, além de apoio pedagógico individualizado. A criação do Identificador Nacional Único do Estudante (Inue) é vista como um avanço para unificar registros e auxiliar no diagnóstico das necessidades de cada aluno.

Otávio Reinhardt Maia
Sobre o autor · Crítico de Cinema de Gênero

Defensor do terror, sci-fi e cult, leva a sério o que a crítica esnoba.

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