# Preparação tecnológica essencial para ERPs com a Reforma Tributária

> A Reforma Tributária exige preparação tecnológica essencial para ERPs, transformando-se em um dos maiores projetos de transformação tecnológica das empresas brasileiras. A revisão de sistemas e processos financeiros é necessária para adaptar os ERPs às novas regras fiscais, garantindo conformidade e eficiência operacional diante das mudanças tributárias.

*Catavento · Análises e Críticas · 20 de julho de 2026 · Caio Sttédile Marques*

A Reforma Tributária deixou de ser um desafio restrito às áreas fiscal e tributária para se tornar um dos maiores projetos de transformação tecnológica das empresas brasileiras. A preparação tecnológica essencial para ERPs envolve revisão de sistemas, processos financeiros e arqu

## Preparação tecnológica essencial para ERPs: o que muda com a Reforma Tributária

A Reforma Tributária deixou de ser um desafio restrito às áreas fiscal e tributária para se tornar um dos maiores projetos de transformação tecnológica das empresas brasileiras. A preparação tecnológica essencial para ERPs envolve revisão de sistemas, processos financeiros e arquitetura para suportar a transição até 2033, com impactos que vão muito além de uma simples atualização de impostos.

Segundo a Softtek, a necessidade de adaptar ERPs, integrar novos processos fiscais e preparar o ambiente para o Split Payment fará da modernização dos sistemas corporativos uma prioridade estratégica nos próximos anos. Quem inicia esse diagnóstico agora reduz riscos de interrupções operacionais e custos de adaptação.

## IVA Dual: o coração da transformação tributária nos ERPs

A implementação do IVA Dual, composto pela CBS (federal), IBS (estadual e municipal) e Imposto Seletivo, inaugura uma transição que obrigará as organizações a operar simultaneamente dois regimes tributários até 2033. Na prática, isso significa que plataformas como o SAP precisarão processar, calcular, contabilizar e reportar duas lógicas fiscais ao mesmo tempo, elevando significativamente a complexidade tecnológica das operações.

Não estamos falando apenas de uma atualização tributária. A Reforma exige que o ERP passe a suportar novos fluxos financeiros, regras de negócio, integrações e modelos de cálculo. É uma mudança estrutural na arquitetura das empresas, como explica Victor Hugo Coutinho, Arquiteto de Soluções e Gerente de Ofertas SAP da Softtek Brasil.

## Split Payment: o mecanismo que altera a liquidação financeira

Entre as mudanças mais relevantes está o Split Payment, previsto para entrar em vigor de forma facultativa a partir de 2027. O mecanismo altera a dinâmica da liquidação financeira ao permitir que os valores de IBS e CBS sejam separados no momento do pagamento da operação.

Essa nova lógica impacta diretamente contas a pagar e receber, conciliação financeira, meios de pagamento, interfaces bancárias, processos de faturamento e integrações entre ERP, bancos e plataformas de gestão. Não basta recalcular impostos na nota fiscal. As empresas precisarão revisar processos de tesouraria, automações financeiras e a forma como o dinheiro circula dentro da operação, conforme alerta Coutinho.

## Impactos no SAP e a migração para o SAP DRC

Para organizações que utilizam SAP, os impactos vão muito além das parametrizações fiscais. A Reforma Tributária exige revisão de cadastros mestres, classificação fiscal de produtos, processos de compras, vendas, faturamento, apuração tributária e integrações com aplicações legadas e sistemas da administração pública.

Ao mesmo tempo, a descontinuação do SAP GRC NF-e acelera a necessidade de migração para o SAP DRC (Document and Reporting Compliance), plataforma que passa a concentrar as atualizações relacionadas ao novo modelo tributário.

Também fazem parte da agenda tecnológica a adoção do CNPJ alfanumérico, novas estruturas de dados, adequações em tabelas críticas do ERP, reconfiguração das matrizes tributárias em FI/CO e atualização de documentos fiscais.

## Por que tratar como transformação, não como adaptação

Tratar esse conjunto de mudanças como pequenas adaptações de TI é um erro. Estamos diante de uma transformação que envolve tecnologia, finanças e estratégia de negócios ao mesmo tempo, afirma Coutinho. A preparação tecnológica essencial para ERPs exige visão integrada, não soluções pontuais.

Empresas que subestimam o escopo da Reforma correm o risco de enfrentar interrupções operacionais, retrabalho e aumento dos custos de adaptação. O tempo para agir é agora, quanto mais tarde as empresas iniciarem essa preparação, maior será o risco.

## Diagnóstico tecnológico: o primeiro passo

A Softtek recomenda que as empresas iniciem imediatamente um diagnóstico de seus ambientes tecnológicos para avaliar a versão do ERP utilizada, a qualidade dos dados mestres, o nível de customizações, as integrações existentes e os impactos sobre os processos financeiros.

A preparação antecipada é considerada essencial para atender aos marcos da implementação da Reforma Tributária, como a obrigatoriedade de novos campos relacionados a IBS e CBS e a entrada em vigor da CBS em janeiro de 2027.

## Cronograma da Reforma: o que esperar até 2033

A transição para o novo regime tributário segue um cronograma que exige atenção das áreas de TI e finanças. A partir de 2027, o Split Payment entra em vigor de forma facultativa, enquanto a CBS começa a valer em janeiro do mesmo ano. Até 2033, as empresas precisarão operar simultaneamente os dois regimes tributários, o que demanda ERPs preparados para processar, calcular, contabilizar e reportar duas lógicas fiscais ao mesmo tempo.

Esse período de convivência entre regimes é o maior desafio operacional. Sistemas legados, integrações com bancos e processos de conciliação precisam ser revisados para evitar retrabalho e gargalos financeiros.

## O papel da arquitetura tecnológica na preparação

A arquitetura tecnológica das empresas precisa ser repensada para suportar as novas exigências. A integração entre ERP, bancos e plataformas de gestão deve ser robusta o suficiente para lidar com o Split Payment e as novas regras de apuração tributária.

A revisão de cadastros mestres, classificação fiscal de produtos e processos de compras e vendas é parte desse esforço. Sem dados mestres de qualidade, qualquer automação financeira corre o risco de gerar inconsistências fiscais.

## Como evitar os erros mais comuns na adaptação

O erro mais comum é tratar a Reforma Tributária como um problema exclusivo da área fiscal. Na prática, ela impacta tecnologia, finanças e estratégia de negócios simultaneamente. Outro equívoco é subestimar o tempo necessário para o diagnóstico e a implementação das mudanças.

Empresas que começam a preparação tarde enfrentam maior risco de interrupções operacionais, retrabalho e aumento dos custos de adaptação. O diagnóstico antecipado é a melhor forma de mitigar esses riscos.

## Perguntas Frequentes

### O que é o IVA Dual na Reforma Tributária?

O IVA Dual é composto pela CBS (federal), IBS (estadual e municipal) e Imposto Seletivo. Ele obriga as empresas a operar dois regimes tributários simultaneamente até 2033.

### Quando entra em vigor o Split Payment?

O Split Payment está previsto para entrar em vigor de forma facultativa a partir de 2027, alterando a liquidação financeira ao separar os valores de IBS e CBS no momento do pagamento.

### O que muda no SAP com a Reforma Tributária?

O SAP precisará processar, calcular, contabilizar e reportar duas lógicas fiscais ao mesmo tempo. Também há a migração do SAP GRC NF-e para o SAP DRC, que concentra as atualizações do novo modelo tributário.

### Qual o prazo para as empresas se prepararem?

A Softtek recomenda iniciar imediatamente um diagnóstico tecnológico. A CBS entra em vigor em janeiro de 2027, e o Split Payment começa de forma facultativa no mesmo ano.

### Quais processos financeiros são impactados?

Contas a pagar e receber, conciliação financeira, meios de pagamento, interfaces bancárias, processos de faturamento e integrações entre ERP, bancos e plataformas de gestão são diretamente afetados.

Reforma Tributária: guia completo para ERPs Split Payment: impactos na tesouraria SAP DRC: o que sua empresa precisa saber

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Fonte (canonical): https://catavento.art.br/analises-e-criticas/preparacao-tecnologica-essencial-erps/
