Segurança de presidenciáveis da eleição de 2026 altera calendário de convenções partidárias
A Polícia Federal (PF) iniciou, na última segunda-feira, a disponibilização de equipes especializadas para garantir a segurança de presidenciáveis nas eleições de 2026, uma medida que já impacta o calendário das convenções partidárias em todo o país. Essa iniciativa visa proteger os pré-candidatos à Presidência da República após a homologação de suas campanhas pelas respectivas siglas. A proteção da corporação foi sincronizada com o início das convenções, que se estenderão de 20 de julho a 5 de agosto.
Por que a segurança de presidenciáveis está alterando as convenções?
A decisão de antecipar convenções partidárias já tem um exemplo concreto. Renan Santos (Missão) adiantou a convenção nacional de seu partido para formalizar sua participação no pleito e, consequentemente, acessar a proteção da Polícia Federal de forma mais célere. O pré-candidato justificou a medida com base em recomendações de suas equipes de segurança, após ter recebido ameaças durante o período de pré-campanha.
Ele alega ter sido alvo de ameaças do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) em agendas realizadas no Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro. Para Santos, antecipar a convenção era uma questão de "sobrevivência".
Quem mais solicitou proteção da PF?
Entre os nomes que já sinalizaram a intenção de formalizar o pedido de proteção estatal estão Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). As convenções partidárias de seus respectivos partidos estão agendadas para 26 e 27 de julho.
Como funciona a operação de segurança da Polícia Federal?
Para viabilizar a operação, a Polícia Federal prevê um investimento de R$ 95 milhões. Esse montante será destinado à aquisição e utilização de recursos como viaturas blindadas, sistemas antidrones, coletes balísticos e outros equipamentos de proteção de alta tecnologia.
A Diretoria de Proteção à Pessoa da PF informou que mais de 600 profissionais foram capacitados entre 2025 e 2026 especificamente para esta missão. Desse contingente, até 458 servidores serão alocados para as campanhas. As equipes são formadas por delegados, agentes e escrivães, todos com especialização em segurança de autoridades.
Equipamentos e tecnologia empregados
Em nota, a PF detalhou os recursos a serem empregados: "A operação poderá contar, conforme a avaliação de cada agenda, com veículos blindados, com grupos táticos, com equipamentos de defesa antidrone, com reconhecimento facial, com monitoramento de ameaças digitais e com kits para vistorias antibombas."
Análise de risco individualizada para cada candidato
Para otimizar a alocação de recursos, a Polícia Federal conduziu uma avaliação de risco. Esta análise classificou os pré-candidatos em quatro níveis de ameaça: muito alto, alto, moderado e baixo.
Cada candidatura terá um planejamento de segurança individualizado. Este será elaborado com base em uma metodologia técnica de análise de risco, sendo continuamente atualizado conforme a evolução das ameaças, vulnerabilidades e características específicas de cada compromisso de campanha.
Casos específicos: Lula, Flávio Bolsonaro e a diferença de abordagem
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve buscar a reeleição, a proteção durante o período eleitoral será coordenada pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O GSI, já responsável pela segurança do mandatário, contará com o apoio da Polícia Federal.
Em contraste, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também pré-candidato, recusou a segurança oferecida pela Polícia Federal. Ele optou por manter a equipe da Polícia Legislativa do Senado, responsável por sua proteção como parlamentar.
Diálogo da PF com partidos e pré-candidaturas
Desde abril, a Polícia Federal tem mantido um diálogo constante com os partidos e as pré-candidaturas. O objetivo é apresentar o funcionamento da operação de segurança e preparar a atuação da PF durante todo o período eleitoral.
Perguntas Frequentes
A segurança da PF é obrigatória para todos os presidenciáveis?
Não. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por exemplo, recusou a segurança oferecida pela Polícia Federal, optando por manter a equipe da Polícia Legislativa do Senado.
Quanto a PF está investindo na segurança dos presidenciáveis?
A Polícia Federal prevê um investimento de R$ 95 milhões para a operação, incluindo viaturas blindadas, sistemas antidrones e coletes balísticos.
Quantos profissionais foram capacitados para a segurança eleitoral?
Mais de 600 profissionais foram capacitados entre 2025 e 2026, dos quais até 458 servidores serão alocados para as campanhas.
Quais os níveis de risco definidos pela PF?
A Polícia Federal classificou os pré-candidatos em quatro níveis de ameaça: muito alto, alto, moderado e baixo, com planejamento individualizado para cada um.
Quem já solicitou proteção da PF?
Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) sinalizaram a intenção de formalizar o pedido. Renan Santos (Missão) antecipou a convenção para acessar a proteção mais rapidamente.
