Tarifaço de Trump: "não é comércio, é sobre hegemonia", diz pesquisador
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu uma tarifa de 50% sobre produtos canadenses. A medida, prevista para entrar em vigor no dia 19 de agosto, é uma resposta ao que a Casa Branca classifica como "tratamento discriminatório" do Canadá contra produtos norte-americanos, especialmente carros, leite e bebidas alcoólicas. As novas taxas incidem também sobre vinhos, queijos, tacos de hóquei e cimento.
Para o coordenador da pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, Giorgio Romano, as ações de Trump não se baseiam na lógica econômica tradicional. "Não é sobre o comércio. É sobre controle, sobre dominação, sobre manter sua hegemonia e colocar os países de joelhos para impor sua vontade", afirmou o pesquisador, que também é membro do Observatório da Política Externa e Inserção Internacional do Brasil.
O que motivou a tarifa de 50% sobre o Canadá?
Segundo o governo norte-americano, o Canadá utiliza cotas e restrições para ganhar investimentos que seriam dos Estados Unidos. Dados de Washington indicam que as exportações de veículos norte-americanos para o Canadá caíram cerca de 22% em um ano, enquanto o setor de bebidas alcoólicas sofreu uma redução de 80%.
Além das tarifas de 50%, o governo norte-americano já aplica taxas sobre aço, alumínio e madeira canadenses sob justificativa de segurança nacional.
A análise geopolítica de Giorgio Romano
Giorgio Romano vê um "choque" no tratamento dado ao Canadá, um aliado histórico e integrado. Ele compara a situação com ações anteriores dos EUA: "como fizeram na Venezuela, como estão fazendo com o estrangulamento de Cuba e como estão fazendo até com os aliados".
Do mesmo modo, Washington vem impondo tarifas sem justificativas contra o Brasil. "A única coisa que as justificativas usadas contra o Brasil e o Canadá tem em comum é que elas não se sustentam à luz de qualquer análise objetiva dos fatos", afirmou Romano.
Para o pesquisador, o momento reflete uma mudança estrutural: "É o momento em que os Estados Unidos percebem que toda aquela estrutura que era favorável a eles não é mais tão favorável, porque ao longo do tempo favoreceu mais à China e outros concorrentes".
Como o Canadá reagiu?
A Casa Branca destacou que, no último ano e meio, apenas o Canadá e a China optaram por retaliar os EUA em vez de negociar novos termos comerciais. O Primeiro-Ministro do Canadá, Mark Carney, classificou a ação norte-americana como uma violação do acordo de livre comércio. Carney afirmou que o Canadá apenas respondeu às medidas unilaterais anteriores dos EUA, mas manteve abertura para o diálogo.
Tarifaço de Trump: comércio ou geopolítica?
A análise de Giorgio Romano aponta que o tarifaço de Trump transcende a lógica comercial tradicional. "Não se trata de comércio, se trata de geopolítica, se trata de usar o comércio para impor algumas políticas", conclui o pesquisador.
Perguntas Frequentes
O que é o tarifaço de Trump contra o Canadá?
É uma tarifa de 50% sobre produtos canadenses, estabelecida pelo presidente Donald Trump, com previsão de entrar em vigor em 19 de agosto.
Quais produtos são afetados pela tarifa de 50%?
Carros, leite, bebidas alcoólicas, vinhos, queijos, tacos de hóquei e cimento estão entre os produtos afetados.
Por que Trump impôs tarifas ao Canadá?
A Casa Branca classifica como resposta ao "tratamento discriminatório" do Canadá, que utiliza cotas e restrições para atrair investimentos.
O que diz Giorgio Romano sobre as tarifas?
O pesquisador da UFABC afirma que a ação não é sobre comércio, mas sobre hegemonia e dominação geopolítica dos Estados Unidos.
O Canadá retaliou as tarifas de Trump?
Sim, o Canadá optou por retaliar, e o Primeiro-Ministro Mark Carney classificou a medida como violação do acordo de livre comércio, mas manteve abertura para diálogo.
guerra comercial EUA e China impacto das tarifas no Brasil
