# Trabalho remoto piora a saúde mental? Estudo revela reviravolta

> O estudo publicado na revista Ciência revela que o trabalho remoto pode piorar a saúde mental a longo prazo, especialmente para quem mora sozinho. A reviravolta indica que pessoas vivendo com a família não sofrem o mesmo impacto psicológico, e neurodivergentes podem apresentar benefícios nesse modelo de trabalho.

*Catavento · Análises e Críticas · 20 de julho de 2026 · Otávio Reinhardt Maia*

Um novo estudo publicado na revista Ciência revela que o trabalho remoto, embora popular, pode piorar a saúde mental a longo prazo, especialmente para quem mora sozinho. A reviravolta? Quem vive com a família não sente o mesmo sofrimento psicológico, e neurodivergentes podem até 

## Trabalho remoto piora a saúde mental? Estudo revela reviravolta

Um novo estudo publicado na revista _Ciência_ sugere que o trabalho remoto, modalidade que se consolidou após a pandemia de COVID-19, pode ter efeitos negativos na saúde mental a longo prazo. A pesquisa, que analisou mais de 500 mil americanos, aponta que o principal vilão é a redução da socialização. Mas há uma reviravolta: o impacto não é o mesmo para todos. Quem vive com a família não sente o mesmo sofrimento, e neurodivergentes podem até se beneficiar.

## O que o estudo da Ciência revela sobre trabalho remoto e saúde mental

O estudo comparou pessoas em empregos "remotos" (realizáveis por computador) com empregos "não remotos" (como garçom ou funções presenciais). A métrica mais impactada foi a socialização. Humanos são animais sociais, e a pandemia mudou esse hábito. Pós-pandemia, quem trabalha remotamente passa, em média, uma hora a mais sozinho por dia em comparação com quem tem emprego presencial.

As pontuações de sofrimento psicológico, depressão, ansiedade e solidão aumentaram para trabalhadores remotos ao longo do tempo. O estudo mostra que o efeito é de longo prazo: indivíduos que aceitaram trabalho remoto recentemente não observaram esse aumento, indicando que o problema se acumula com o tempo.

## A reviravolta: quem vive com a família não sofre o mesmo impacto

A grande surpresa do estudo é que pessoas que viviam com a família e trabalhavam remotamente não observaram aumento no sofrimento mental nem no tempo passado sozinhas. Já quem morava sozinho registrou uma mudança significativa na porcentagem de tempo solitário e no sofrimento psicológico.

Isso sugere que o trabalho presencial pode ser benéfico especificamente para quem vive sozinho, enquanto pessoas com famílias podem se beneficiar do remoto, pois passam mais tempo com entes queridos em vez de isoladas.

## Neurodivergentes: trabalho remoto como alívio, não estresse

Outra reviravolta vem de um relatório publicado com a Neurobridge. Funcionários neurodivergentes citaram as políticas de retorno ao escritório (RTO) como um dos principais fatores de estresse no trabalho. Indivíduos com autismo ou transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), por exemplo, podem ter estilos de comunicação diferentes. Para eles, a socialização presencial pode se tornar um fator de estresse, não um alívio.

O estudo conclui que diferentes populações podem ver resultados diferentes a longo prazo do trabalho remoto, ou pelo menos em uma modalidade híbrida.

## Estudo com chineses reforça: flexibilidade é chave

Uma pesquisa com 1.600 funcionários chineses mostrou que a flexibilidade e as modalidades híbridas melhoraram a satisfação no trabalho, o desempenho e até a saúde mental, mas especificamente para pessoas com longos tempos de deslocamento e mulheres. Isso reforça os achados do estudo americano: as situações de vida alteram diretamente o impacto do trabalho remoto.

## Limitações e próximos passos da pesquisa

Os pesquisadores alertam que é necessária mais investigação para verificar se as descobertas se estendem a todos os subtipos populacionais e a diferentes países. A cultura e a organização urbana influenciam: nos Estados Unidos, o deslocamento é majoritariamente de carro, enquanto em Paris as pessoas usam metrô e as cidades são transitáveis, facilitando interações sociais fora do trabalho. Isso poderia alterar os resultados.

Além disso, seria interessante observar resultados semelhantes em populações neurodivergentes, especialmente em pessoas que lutam com interações sociais ou estimulação sensorial. Para elas, o trabalho remoto pode se tornar uma acomodação que melhora a saúde mental em vez de piorá-la.

## O que isso significa para o futuro do trabalho

Independentemente dos resultados, a pandemia de COVID-19 criou uma mudança não só na forma como trabalhamos, mas também na forma como vivemos. Em geral, todas as pessoas tendem a passar mais tempo sozinhas e online depois da pandemia do que antes. Isso informa que ver mais pessoas pode ser uma boa forma de preservar a saúde mental, e o trabalho presencial proporciona uma oportunidade para isso. Ser mais intencional nas interações do mundo real pode eventualmente ser benéfico para todos.

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## Perguntas Frequentes

### O trabalho remoto sempre piora a saúde mental?

Não. O estudo mostra que o impacto negativo é maior para quem mora sozinho. Quem vive com a família não registrou aumento no sofrimento psicológico.

### Qual a principal causa do impacto negativo?

A redução da socialização. Trabalhadores remotos passam, em média, uma hora a mais sozinhos por dia.

### Neurodivergentes se beneficiam do trabalho remoto?

Sim, segundo relatório da Neurobridge. Funcionários com autismo ou TDAH citam o retorno ao escritório como fator de estresse, e o remoto pode ser um alívio.

### O estudo vale para outros países?

Os pesquisadores alertam que a cultura e o deslocamento variam. Nos EUA, o carro predomina; em Paris, o metrô. Mais estudos são necessários.

### O que fazer para mitigar os efeitos negativos?

Ser mais intencional nas interações sociais do mundo real. O trabalho presencial pode ser uma oportunidade para quem mora sozinho.

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Fonte (canonical): https://catavento.art.br/analises-e-criticas/trabalho-remoto-piora-saude-mental-mas-ha-uma-reviravolta/
