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UFRJ faz diplomações póstumas a vítimas da ditadura

ResumoA UFRJ concedeu diplomação póstuma a 23 estudantes e professores perseguidos durante a ditadura militar brasileira. A cerimônia ocorreu no dia em que a universidade completou 106 anos, homenageando trajetórias acadêmicas interrompidas pela repressão política do regime.

A UFRJ concedeu diplomação póstuma a 23 estudantes e professores perseguidos durante a ditadura militar. A cerimônia, realizada no dia em que a universidade completou 106 anos, homenageou trajetórias interrompidas pela repressão.

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UFRJ faz diplomações póstumas a vítimas da ditadura
UFRJ faz diplomações póstumas a vítimas da ditaduraFoto: Reprodução · Catavento

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu, nesta quarta-feira (9), diplomação póstuma a 23 estudantes e professores perseguidos durante a ditadura militar no Brasil. A cerimônia ocorreu no mesmo dia em que a instituição completou 106 anos de fundação. A lista de homenageados também inclui dois nomes que conseguiram se formar na universidade.

A diplomação póstuma da UFRJ reconheceu trajetórias interrompidas pela repressão. O levantamento dos nomes foi feito pela Comissão da Memória e da Verdade da UFRJ, com base nos relatórios oficiais do país. A cerimônia foi descrita como um ato histórico de reparação e homenagem àqueles que lutaram pela democracia e pela universidade pública.

Durante o ato, o reitor Roberto de Andrade Medronho afirmou que a entrega dos diplomas representa um compromisso com a memória, a verdade e a justiça, além da determinação de defender a democracia todos os dias, para que ninguém esqueça o que aconteceu nos anos sombrios a partir de 1964.

Entre os homenageados estava o então estudante de economia Fernando Augusto da Fonseca. Por causa da militância estudantil, ele havia sido expulso da UFRJ, abandonou o emprego e a vida na capital. Para fugir da repressão, mudou-se com a família para o Recife, mas foi capturado e levado a uma dependência do Exército, onde foi torturado e morto. A mulher e o filho, então com três anos, ficaram presos por 20 dias.

O filho, André Luiz Araújo da Fonseca, hoje com 56 anos, é professor na UFRJ. Ele recebeu o diploma em nome do pai e disse que o documento simboliza a realização de um sonho interrompido pelo autoritarismo.

"A repressão vai direto na universidade, para meio que atrapalhar a produção do conhecimento, a discussão. Desorganiza isso para se impor, para diminuir o dissenso, a opinião contrária. Meu pai foi expulso da universidade antes mesmo de ser militante. Ele foi expulso ao fazer política estudantil. E minha mãe voltou e só se formou 15 anos depois. Eu fui na formatura dela. Agora estou indo na do meu pai", declarou.

O jornalista Franklin Martins, que era presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ em 1968, destacou o papel do movimento estudantil, dos jovens e dos professores na linha de frente da resistência contra a repressão estatal. Segundo ele, a recuperação dessa memória serve de exemplo para as lutas sociais ainda hoje necessárias.

Lúcia Hartmann Veloso
Sobre o autor · Cronista de Música e Cena Cultural

Anda show e bar de jazz, escreve sobre música ao vivo e a cena que a cerca.

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