# Ponte Preta em crise: um ano após título inédito

> A Ponte Preta enfrenta a maior crise de seus 126 anos um ano após o inédito título da Série C. O clube ocupa a lanterna da Série B, com jogadores em greve e dívida acumulada de R$ 380 milhões. A situação contrasta com a conquista histórica de 2023, expondo grave instabilidade financeira e esportiva.

*Catavento · Análises e Críticas · 07 de setembro de 2026 · Otávio Reinhardt Maia*

Um ano após o inédito título da Série C, a Ponte Preta vive a maior crise de seus 126 anos, com time na lanterna da Série B, greve de jogadores e dívida de R$ 380 milhões.

Um ano após o título inédito, a Ponte Preta mergulha em crise. A euforia da conquista da Série C em 2025, vista como início de retomada, deu lugar à maior crise dos 126 anos do clube. O time é o lanterna da Série B e, com apenas 10 pontos em 25 rodadas, caminha para novo rebaixamento.

A crise financeira não é nova. Problemas de caixa existem desde 2017, quando começaram os atrasos de salários e direitos de imagem. O título da Série C não resolveu a situação. Neste domingo (6), contra o São Bernardo, no Moisés Lucarelli, às 18h30, a equipe pode completar 20 jogos sem vencer na Série B, o maior jejum da era dos pontos corridos, iniciada em 2006. Foram apenas três pontos no período, com empates contra Botafogo-SP, Athletic e Náutico.

A gota d'água foi a greve do elenco, motivada por salários atrasados há mais de seis meses. O advogado dos jogadores, Filipe Rino, afirma que o problema vai além do financeiro: "O que foi incomodando os atletas não foi somente a questão dos atrasos mas também o abandono da diretoria". Atletas que chegaram no início da temporada receberam o equivalente a dois meses de salário em oito meses de trabalho. A diretoria reconhece os atrasos. O presidente Luiz Antônio Alves Torrano admite: "Quem está errada é a Ponte Preta".

Sem o elenco principal, o técnico Gilson estreou com atletas da base, evitando WO contra o América-MG. A equipe perdeu por 2 a 0, igualando a sequência negativa do ABC em 2015. A greve provocou debandada: Léo Gomes e Daniel Baianinho buscam rescisão indireta na justiça.

A diretoria atribui a crise a um passivo de R$ 400 milhões deixado por gestões anteriores. A dívida atual é estimada em R$ 380 milhões, com déficit mensal de R$ 2,8 milhões. A saída seria a transformação do departamento de futebol em SAF, com R$ 1 bilhão em investimentos. O Conselho vota a mudança no estatuto em 19 de setembro. A votação, porém, não aprova investidor, apenas autoriza a criação da SAF. Torrano nega venda: "Não estamos vendendo nada".

---

Fonte (canonical): https://catavento.art.br/analises-e-criticas/um-ano-apos-titulo-inedito-ponte-preta-mergulha-crise-8211-05092026-8211-esporte/
