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Maquila no Paraguai: vale a pena para empresas brasileiras? Análise 2026

ResumoA maquila no Paraguai oferece às empresas brasileiras redução de até 95% no imposto de renda e energia elétrica 70% mais barata que no Brasil. A decisão exige análise de custos logísticos, riscos cambiais e impacto na cadeia produtiva nacional. Dados oficiais mostram que o regime atrai setores têxtil, automotivo e eletrônico.

Empresas brasileiras têm transferido etapas produtivas para o Paraguai atraídas por incentivos fiscais e energia mais barata. Mas a decisão exige análise de custo total, riscos logísticos e impacto na operação brasileira. Veja os dados oficiais e os pontos críticos.

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Maquila no Paraguai: vale a pena para empresas brasileiras? Análise 2026
Maquila no Paraguai: vale a pena para empresas brasileiras? Análise 2026Foto: Reprodução · Catavento

A maquila no Paraguai: uma saída para a indústria brasileira?

Empresas brasileiras têm olhado para o Paraguai como alternativa para reduzir custos de produção e ganhar competitividade. A combinação de incentivos à exportação, disponibilidade de energia, proximidade geográfica e integração com o Mercosul estimula indústrias a estudar a instalação de fábricas ou etapas produtivas no país vizinho.

A maquila no Paraguai pode reduzir custos de produção para empresas brasileiras, mas exige análise completa. O regime oferece tributo único de 1% e suspensão de tributos aduaneiros. No primeiro bimestre de 2026, 67% das exportações das maquiladoras tiveram o Brasil como destino. Porém, é preciso considerar logística, câmbio, infraestrutura e obrigações brasileiras.

O que é o regime de maquila paraguaio?

A maquila é um sistema de produção de bens ou prestação de serviços realizado no Paraguai por conta de uma empresa domiciliada no exterior. Em regra, os produtos fabricados dentro do programa são destinados à exportação.

O regime foi atualizado pela Lei paraguaia nº 7.547, de 8 de setembro de 2025, que substituiu a antiga Lei nº 1.064/1997. A nova legislação busca modernizar procedimentos, reforçar controles e adaptar o modelo às exigências atuais do comércio internacional.

Em abril de 2026, o governo paraguaio regulamentou a nova lei. O decreto estabeleceu critérios mais claros para aprovação dos programas, novas hipóteses de inadmissibilidade, regras de transição para empresas já instaladas e procedimentos mais estruturados para importação de insumos, exportação de produtos e fiscalização.

Quantas empresas brasileiras já operam no Paraguai?

Reportagem publicada pela CNN Brasil em 18 de julho mostrou que empresas brasileiras já transferiram parte de suas operações para cidades próximas à fronteira, especialmente na região de Ciudad del Este e Minga Guazú.

Segundo o levantamento, ao menos 179 empresas de capital brasileiro operam no Paraguai pelo regime de maquila, das quais 47 teriam iniciado as atividades nos últimos cinco anos. A movimentação não significa necessariamente o encerramento das operações no Brasil. Em muitos casos, as empresas mantêm atividades industriais, comerciais e administrativas brasileiras e transferem apenas determinadas fases da produção, como montagem, corte, costura, acabamento ou embalagem.

Quais os benefícios fiscais da maquila?

Entre os benefícios divulgados pelo Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai estão o tributo único de 1%, calculado sobre o valor agregado nacional ou sobre o valor da fatura de exportação, considerando-se o maior, além da suspensão de tributos aduaneiros nas operações abrangidas pelo regime.

Essas condições ajudam a explicar o interesse de indústrias brasileiras, mas não devem ser analisadas isoladamente. O custo tributário é apenas um dos elementos de uma decisão de internacionalização.

O peso da maquila na economia paraguaia

O regime de maquila vem ganhando peso na economia do Paraguai. No primeiro bimestre de 2026, as exportações do setor somaram US$ 248 milhões, crescimento de 26% em relação ao mesmo período de 2025.

Os principais produtos exportados foram autopeças, alimentos, confecções e têxteis, produtos químicos e farmacêuticos, manufaturas de alumínio, equipamentos eletrônicos e materiais plásticos.

Ao final de 2025, as maquiladoras responderam por 69% das exportações paraguaias de manufaturas de origem industrial. Em fevereiro de 2026, o regime mantinha mais de 35 mil empregos vinculados, com crescimento anual de aproximadamente 10%.

Onde estão as empresas maquiladoras?

Cerca de 91% das empresas com programas aprovados estavam localizadas em Alto Paraná, Central, Assunção e Amambay. Alto Paraná, região mais próxima do Brasil, concentrava sozinho 47% das operações.

A proximidade reduz distâncias logísticas e facilita a integração entre unidades brasileiras e paraguaias. Ainda assim, produzir em outro país não elimina fronteiras, controles aduaneiros ou exigências documentais.

O que considerar antes de decidir?

A instalação de uma operação no Paraguai pode reduzir custos específicos, mas o empresário precisa analisar o resultado completo do projeto.

Além de salários, energia e tributos, a conta deve considerar despesas com constituição e manutenção da empresa paraguaia, estrutura administrativa local, assessoria jurídica e contábil, licenças, logística internacional, câmbio, armazenagem, seguros, controle de qualidade e deslocamento de gestores.

Também podem surgir investimentos adicionais em infraestrutura. A reportagem da CNN Brasil destacou que, embora a energia possa custar menos no Paraguai, falhas de distribuição obrigam algumas indústrias a investir em geradores, subestações ou parques industriais com estrutura própria.

Uma economia aparente na fábrica pode ser anulada por fretes mais caros, atrasos na fronteira, necessidade de manter estoques maiores ou duplicação de equipes administrativas.

Por isso, o projeto deve comparar o custo total da operação no Brasil com o custo total do modelo internacional, e não apenas diferenças de alíquotas ou salários.

Impactos na cadeia de suprimentos e nas obrigações brasileiras

A empresa que transfere uma etapa da produção para outro país modifica sua cadeia de suprimentos. Matérias-primas e componentes podem sair do Brasil, ser processados no Paraguai e retornar como produtos acabados ou parcialmente industrializados. Cada movimentação exige documentos, controles de estoque, planejamento logístico e coordenação entre fornecedores, transportadores, despachantes e unidades produtivas.

Quanto maior o número de etapas internacionais, maior a exposição a atrasos, variações cambiais, interrupções de transporte e mudanças regulatórias.

A empresa também precisa avaliar o prazo total entre a compra do insumo e a venda do produto. Se a internacionalização aumentar o tempo de produção e transporte, poderá exigir mais capital de giro.

Outro ponto é a qualidade. A transferência de processos exige padrões documentados, treinamento das equipes, critérios de inspeção e sistemas capazes de acompanhar a rastreabilidade dos produtos.

Empresas brasileiras que mantêm operação, clientes, sócios ou movimentações entre os dois países continuam sujeitas às regras brasileiras aplicáveis às suas atividades. A instalação no Paraguai não transforma automaticamente todas as vendas em operações estrangeiras nem elimina obrigações tributárias, aduaneiras, contábeis ou societárias no Brasil.

Operações entre empresas do mesmo grupo precisam ser documentadas e realizadas de acordo com sua realidade econômica. Contratos, preços, pagamentos, remessas, importações e exportações devem refletir efetivamente as funções desempenhadas por cada empresa.

Também é necessário analisar o tratamento de produtos que retornam ao mercado brasileiro. A existência de benefícios no Paraguai não significa que a entrada das mercadorias no Brasil estará livre de controles ou tributos. O enquadramento dependerá da operação realizada, da origem dos insumos, da classificação dos produtos, das regras do Mercosul e da documentação apresentada.

Quem deve considerar a maquila?

A abertura de uma fábrica no exterior exige escala, capacidade financeira e maturidade administrativa. Empresas que ainda enfrentam problemas de controle de estoque, custos, fluxo de caixa ou padronização de processos podem ampliar suas dificuldades ao operar em dois países.

A decisão também precisa considerar o impacto sobre a operação brasileira. Transferir parte da produção pode exigir reorganização de equipes, fornecedores, contratos, ativos e capacidade instalada.

A análise não deve ficar concentrada apenas na área tributária. Um projeto dessa natureza envolve estratégia empresarial, finanças, produção, comércio exterior, logística, legislação trabalhista, controles internos, câmbio e governança.

O empresário deve elaborar um estudo de viabilidade com cenários conservador, provável e otimista. Cada cenário deve mostrar investimento inicial, prazo de implantação, economia esperada, necessidade de capital de giro e tempo de retorno.

Perguntas Frequentes

A maquila no Paraguai é legal para empresas brasileiras?

Sim, o regime de maquila é regulado pela Lei paraguaia nº 7.547/2025. Empresas brasileiras podem operar dentro do programa, desde que cumpram as exigências documentais e fiscais de ambos os países.

Quanto custa abrir uma maquila no Paraguai?

Não há um valor fixo. O custo total deve considerar constituição da empresa, estrutura administrativa local, assessoria jurídica e contábil, licenças, logística internacional e possíveis investimentos em infraestrutura.

A energia é realmente mais barata no Paraguai?

Embora o custo da energia possa ser menor, falhas de distribuição podem exigir investimentos em geradores ou subestações, como destacou a CNN Brasil.

Preciso fechar minha fábrica no Brasil?

Não necessariamente. Muitas empresas mantêm atividades no Brasil e transferem apenas etapas específicas, como montagem ou acabamento.

Quais produtos são mais comuns na maquila?

Autopeças, alimentos, confecções e têxteis, produtos químicos e farmacêuticos, manufaturas de alumínio, equipamentos eletrônicos e materiais plásticos.

Lúcia Hartmann Veloso
Sobre o autor · Cronista de Música e Cena Cultural

Anda show e bar de jazz, escreve sobre música ao vivo e a cena que a cerca.

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