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Público madruga para desfile na Esplanada dos Ministérios

ResumoA Esplanada dos Ministérios recebeu público desde antes das 4h para o desfile de 7 de Setembro. Maria de Fátima, 71 anos, viajou do Tocantins para assistir ao evento. Outros espectadores vieram de Sobradinho 2. A concentração madrugadora marcou a expectativa pela celebração cívica na capital federal.

Antes das 4h, a Esplanada dos Ministérios já tinha quem madrugasse para o desfile de 7 de Setembro. Maria de Fátima, 71, veio do Tocantins. Outros, de Sobradinho 2.

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Público madruga para desfile na Esplanada dos Ministérios
Público madruga para desfile na Esplanada dos MinistériosFoto: Reprodução · Catavento

Quando o relógio marcou 3h da manhã, a aposentada Maria de Fátima Barbosa, de 71 anos, já estava de pé. A ansiedade pelo desfile de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, falava mais alto. Ela dormia na casa de uma amiga, no Recanto das Emas, a 30 quilômetros do centro. Mas a viagem dela começou muito antes, em Tocantinópolis (TO), de onde pegou uma van até Araguaína, a mais de duas horas de casa. Depois, madrugou na rodoviária para encarar mais mil quilômetros até a capital. No total, mais de 15 horas de estrada. Chegou no sábado (6) e descansou para ver o sol nascer de dentro do ônibus.

Público madruga para assistir ao desfile na Esplanada dos Ministérios e a cena se repete entre quem mora longe e quem vive na periferia. O casal Jorge Fernandes, 55, pintor de casa, e Adabel Daiane, 42, dona de casa, foi acordado pela filha Maria Alice, de 8 anos, antes das 4h. Eles pegaram um ônibus de Sobradinho 2. "Como era a primeira vez, nem dormi direito", contou a mãe, que vê no ato a construção de memórias e patriotismo para a menina. O pai, ex-soldado do Exército, diz que nunca deixou de vir.

Entre os que madrugaram estava também Maurício Batista, de 33 anos, ex-militar, que vestiu a camisa com a bandeira do Brasil, como faz todo ano. "Eu fico emocionado mesmo", disse. A família do paratleta Leonardo Carvalho, dos 100 metros rasos, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), também chegou cedo. Ele acordou antes das 4h, viu a luz do amanhecer na rodoviária e correu. "Faço 100 metros em menos de 12 segundos. Vou correr porque está chegando a hora", afirmou. A mãe, Maura, sorriu com a pressa do filho. "Ele ama estar aqui e o esporte. Ele fica ansioso e a gente na torcida por tudo dar certo na vida dele".

Maria de Fátima, que morou em Brasília nos anos 1980 como doméstica, voltou ao Tocantins para recomeçar. Foi quebradeira de coco, passou por empregos precários e catou latinhas para comprar um saxofone. No ano passado, formou-se em licenciatura em educação no campo. "Enquanto eu viver, eu venho para esse desfile", afirmou, ansiosa também pelas mensagens sobre o passado de escravização e opressão no Brasil. "Vir para o desfile me faz lembrar o quanto eu sou brasileira. É muito lindo isso aqui." O desfile ainda não tinha começado, e muitos já chamavam o momento de inesquecível.

Lúcia Hartmann Veloso
Sobre o autor · Cronista de Música e Cena Cultural

Anda show e bar de jazz, escreve sobre música ao vivo e a cena que a cerca.

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