A Polícia Federal aguarda há seis meses uma autorização do Supremo Tribunal Federal para acessar dados de pessoas com foro privilegiado que apareceram no relatório sobre o Banco Master. A petição foi apresentada em março deste ano e ainda não há decisão do ministro André Mendonça. O sigilo das informações sobre a rede de pagamentos ligada ao Master foi retirado nesta segunda-feira (14), após pedido do ministro Edson Fachin, presidente do STF.
Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e apontado como seu operador financeiro, repassou R$ 19 milhões à Igreja da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte. A entidade movimentou R$ 57 milhões entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, enquanto seu faturamento anual presumido é de R$ 950 mil. O documento aponta circulação de recursos incompatível com o patrimônio, a capacidade financeira e o faturamento da instituição religiosa, além de operações para esconder origem, destino e responsáveis.
O mesmo relatório registra que a empresa Super Empreendimentos e Participações movimentou cerca de R$ 19,5 milhões apenas em junho de 2022, metade em depósitos e metade em saídas. Mais de R$ 9 milhões foram depositados por Fabiano Zettel. A conta, até então pouco usada, teve uso transitório para entrada e saída de dinheiro, o que, segundo o Coaf, dificultou a rastreabilidade dos valores. O documento também aponta um repasse de R$ 1 milhão da Super Empreendimentos, em 2024, para uma pessoa com função no Superior Tribunal de Justiça ou no Supremo Tribunal Federal, o que poderia incidir sobre a regra de foro privilegiado. O acesso a essa informação depende de autorização judicial, que ainda não saiu.
A Igreja da Lagoinha Belvedere encerrou as atividades após a prisão de Fabiano Zettel, em março. A Super Empreendimentos teve as atividades suspensas pelo ministro André Mendonça. O caso segue em apuração e não há decisão final sobre as movimentações apontadas no relatório. Procuramos as defesas dos citados e aguardamos resposta.
