Análises e Críticas

Entenda por que identificar o tipo do vírus HPV faz diferença no tratamento

ResumoO HPV (papilomavírus humano) reúne mais de 200 tipos, classificados como baixo ou alto risco oncogênico. Identificar o tipo viral orienta o tratamento e o acompanhamento: infecções por tipos de alto risco, como HPV 16 e 18, exigem vigilância mais rigorosa por estarem associadas ao câncer de colo do útero.

Receber um resultado positivo para HPV não significa diagnóstico de câncer. A OMS aponta mais de 200 tipos do vírus, com riscos diferentes. Entenda por que identificar o tipo do vírus HPV faz diferença no tratamento e no acompanhamento.

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Entenda por que identificar o tipo do vírus HPV faz diferença no tratamento
Entenda por que identificar o tipo do vírus HPV faz diferença no tratamentoFoto: Reprodução · Catavento

Receber um resultado positivo para HPV pode gerar preocupação, mas não equivale a um diagnóstico de câncer. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece mais de 200 tipos do vírus, e eles não apresentam o mesmo risco. Há tipos de baixo risco e outros classificados como de alto risco ou oncogênicos, por estarem associados ao desenvolvimento de cânceres, entre eles o do colo do útero.

Identificar o tipo do HPV importa porque a OMS reconhece mais de 200 tipos do vírus, com riscos distintos. Alguns são de baixo risco; outros, oncogênicos, como os tipos 16 e 18. O teste molecular DNA-HPV e a genotipagem ajudam o médico a definir os próximos passos da investigação.

O tema ganha atenção durante o Setembro em Flor, campanha de conscientização sobre os cânceres ginecológicos. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028. A infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV está fortemente associada à doença.

Como o DNA-HPV identifica o tipo do vírus

Uma das formas de identificar esses vírus é o teste molecular de DNA-HPV. Diferentemente de exames que procuram alterações nas células, ele pesquisa o material genético do próprio vírus. A coleta pode ser feita por um profissional de saúde, com material retirado do colo do útero. As Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, atualizadas em 2025, também admitem a autocoleta de uma amostra vaginal pela própria mulher, desde que sejam seguidas as orientações do serviço de saúde. Essa opção pode facilitar o acesso ao exame, principalmente para quem tem dificuldade de realizar a coleta tradicional.

De acordo com a Dra. Fernanda Soardi, consultora em genética e genômica do Lustosa, marca da Dasa em Minas Gerais, o teste pode trazer informações sobre o HPV encontrado. "O DNA-HPV pesquisa diretamente o material genético dos tipos associados a maior risco de desenvolvimento de câncer, HPV 16 e 18. Dependendo do exame, também é possível realizar a genotipagem, ou seja, identificar qual tipo do vírus está presente na amostra (podem ser identificados mais de um tipo de HPV na mesma amostra), que merecem atenção especial por sua forte associação com o câncer. Essa informação ajuda o médico a definir os próximos passos da investigação e do eventual tratamento".

O Papanicolau também tem papel importante no rastreamento do câncer, mas os dois exames fornecem informações diferentes. Enquanto o DNA-HPV identifica a presença de tipos do vírus associados a maior risco, o Papanicolau analisa as células do colo do útero em busca de alterações. Com as novas diretrizes brasileiras de rastreamento, o DNA-HPV passa a ser adotado como exame primário onde a tecnologia já esteja disponível. Dependendo do resultado, o Papanicolau pode ser utilizado como etapa complementar da investigação.

Nos locais onde o teste molecular ainda não foi implantado, ele continua sendo utilizado no rastreamento. "Mesmo quando um HPV de alto risco é identificado, isso não quer dizer que a pessoa desenvolverá câncer. As infecções podem ser transitórias. O acompanhamento é importante principalmente quando o vírus permanece no organismo", afirma a Dra. Lívia Maia, médica patologista, do Laboratório Exame, marca Dasa no Distrito Federal.

Vacinação e acompanhamento

A vacinação é outra importante forma de prevenção, já que protege contra alguns dos principais tipos de HPV associados ao desenvolvimento de câncer. A vacina é recomendada para meninas e meninos e pode ser indicada para outros grupos, de acordo com a idade e condições específicas previstas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

A Dra. Rosana Richtmann, infectologista do Laboratório Exame, reforça que a proteção dos meninos também é importante. "A vacina contra o HPV não é exclusiva para meninas. O vírus está relacionado a doenças que podem atingir homens e mulheres, incluindo diferentes tipos de câncer. Vacinar os meninos amplia a proteção individual e contribui para reduzir a circulação do HPV na população".

Ainda segundo a infectologista, "já ter tido HPV não significa que seja tarde demais para se vacinar. Uma pessoa pode ter tido contato com um tipo do vírus e continuar suscetível a outros contemplados pela vacina. A indicação deve considerar a idade e as recomendações para cada grupo", conclui.

Benedita Lopes Aragão
Sobre o autor · Pesquisadora de Arte e Memória

Liga o presente da arte ao acervo esquecido, especialista em patrimônio cultural.

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