O Brasil tem quase 160 milhões de eleitores aptos a votar em outubro. Desses, 17 milhões têm 70 anos ou mais, quase 11% do eleitorado nacional. Para esse grupo, o voto é facultativo, ao contrário dos maiores de 18 anos, para quem a obrigação permanece. Ainda assim, a participação dos mais velhos costuma ser expressiva, como mostram os números de 2022.
Na última eleição, cerca de seis milhões de idosos nessa faixa etária foram às urnas. Um deles, José Aldo de Oliveira, de 83 anos, vende doces, queijos e biscoitos na região administrativa de Sobradinho, no Distrito Federal. Ele admite desacreditar da política, mas garante que vai votar: "Para ser sincero, eu não vou esconder. Do jeito que está hoje, a gente não sabe mais em quem vota. E quando eles ganham, primeiro, esquecem da gente. Mas, entre tudo por tudo, a gente tem a dizer o seguinte: que tem que votar. A política existe. Então, a gente tem que votar. Tem que votar e tem que torcer por alguém. Agora, esse alguém eu não sei ainda."
A pesquisadora do Instituto de Ciência Política da UnB, Isabela Rocha, observa que os eleitores mais velhos comparecem mais às eleições. "Temas como saúde, previdência e, principalmente, segurança pública vão ser muito importantes na campanha", afirma. Ela ressalta, porém, que esse eleitorado não vota de maneira homogênea, e que candidatos com campanhas inteligentes tendem a priorizar essas questões.
Para quem é obrigado a votar e não comparece nem justifica a ausência, há consequências práticas: fica em débito com a justiça e não pode emitir a certidão de quitação eleitoral. Se passar três eleições ou turnos sem votar, o título é cancelado. Neste ano, o eleitor escolherá presidente, governador, senador e deputados federal, estadual e distrital. Para o idoso que quer exercer o direito, basta comparecer à seção no dia do pleito; a regra vale mesmo para quem já passou dos 70.
