Análises e Críticas

Viva Maria: cinema indígena busca romper barreiras

ResumoO cinema indígena no Brasil enfrenta barreiras históricas como burocracia em editais, falta de financiamento e invisibilidade das mulheres indígenas na cadeia do audiovisual. O lançamento de duas publicações no Festival de Brasília expõe essas dificuldades e busca romper com a exclusão estrutural que marca a produção audiovisual indígena no país.

No Festival de Brasília, o lançamento de duas publicações sobre cinema indígena expõe barreiras históricas: burocracia em editais, falta de financiamento e invisibilidade das mulheres indígenas na cadeia do audiovisual.

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Viva Maria: cinema indígena busca romper barreiras
Viva Maria: cinema indígena busca romper barreirasFoto: Reprodução · Catavento

O cinema indígena busca romper barreiras e invisibilidade, e o lançamento de duas publicações na 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro expõe esse cenário. O evento ocorre nesta quinta-feira, a partir das 14h, no Cine Brasília. As obras são Ler o Vento, Filmar o Mundo e Diretrizes para um Audiovisual Ético com Povos Indígenas.

A programação reúne Larissa Tukano, do povo Yepá Mahsã (Tukano), e Mari Corrêa, cineasta e fundadora do Instituto Katūtu Aldeia em Cena, com sede em São Paulo, e coordenadora da Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas Katahirine.

O mapeamento Ler o Vento, Filmar o Mundo revela dados inéditos sobre presença e desigualdade. Segundo Mari Corrêa, em todo o processo do audiovisual, da formação à criação e ao acesso a políticas públicas, a participação das mulheres é muito menor que a dos homens. As mulheres indígenas enfrentam ainda menos acesso. Um dado exemplifica a barreira: 71% das mulheres entrevistadas já desistiram de participar de um edital por causa da burocracia, dos requisitos de participação e da linguagem.

Sem financiamento não há filme, lembra Mari Corrêa. A pesquisa aponta que as cotas, tal como implementadas, não dão conta de suprir essa carência. A luta por políticas públicas inclui editais e prêmios em linguagem e lógica que as mulheres indígenas consigam acessar.

Larissa Tukano destaca que o vento traz sinais de chuva e de verão, e que a mulher indígena, na comunidade ou na cidade, segue invisibilizada. O livro, resultado coletivo, reúne as vozes de 92 mulheres, 40 etnias e 35 línguas, com 60 cineastas ouvidas.

O lançamento terá apresentação dos conteúdos e roda de perguntas no anexo do Cine Brasília, auditório para 100 lugares, das 14h às 16h30. Depois, as publicações serão disponibilizadas em versão digital. Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Caio Sttédile Marques
Sobre o autor · Crítico de Cinema e Streaming

Mapeia o que vale a pena na enxurrada de catálogo, do algoritmo à autoria.

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