O cinema indígena busca romper barreiras e invisibilidade, e o lançamento de duas publicações na 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro expõe esse cenário. O evento ocorre nesta quinta-feira, a partir das 14h, no Cine Brasília. As obras são Ler o Vento, Filmar o Mundo e Diretrizes para um Audiovisual Ético com Povos Indígenas.
A programação reúne Larissa Tukano, do povo Yepá Mahsã (Tukano), e Mari Corrêa, cineasta e fundadora do Instituto Katūtu Aldeia em Cena, com sede em São Paulo, e coordenadora da Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas Katahirine.
O mapeamento Ler o Vento, Filmar o Mundo revela dados inéditos sobre presença e desigualdade. Segundo Mari Corrêa, em todo o processo do audiovisual, da formação à criação e ao acesso a políticas públicas, a participação das mulheres é muito menor que a dos homens. As mulheres indígenas enfrentam ainda menos acesso. Um dado exemplifica a barreira: 71% das mulheres entrevistadas já desistiram de participar de um edital por causa da burocracia, dos requisitos de participação e da linguagem.
Sem financiamento não há filme, lembra Mari Corrêa. A pesquisa aponta que as cotas, tal como implementadas, não dão conta de suprir essa carência. A luta por políticas públicas inclui editais e prêmios em linguagem e lógica que as mulheres indígenas consigam acessar.
Larissa Tukano destaca que o vento traz sinais de chuva e de verão, e que a mulher indígena, na comunidade ou na cidade, segue invisibilizada. O livro, resultado coletivo, reúne as vozes de 92 mulheres, 40 etnias e 35 línguas, com 60 cineastas ouvidas.
O lançamento terá apresentação dos conteúdos e roda de perguntas no anexo do Cine Brasília, auditório para 100 lugares, das 14h às 16h30. Depois, as publicações serão disponibilizadas em versão digital. Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
