Após a aposentadoria, atletas podem engordar: entenda o processo e saiba como evitar
Sim, é comum que atletas engordem após a aposentadoria. A redução drástica do gasto energético com treinos e a manutenção de uma alimentação inadequada levam ao acúmulo de gordura. O envelhecimento e mudanças emocionais também contribuem. A saída é planejar a transição com exercícios de força, aeróbicos e acompanhamento profissional.
Quem passa anos seguindo uma rotina de treinos, descanso e alimentação regrada sabe que, ao interromper a carreira, o corpo muda. De acordo com especialistas ouvidos pelo Metrópoles, o ganho de peso expressivo é um processo normal entre ex-atletas, ocorrendo principalmente pela diminuição do gasto energético.
Por que o corpo reage assim?
"Durante a carreira, geralmente eles treinam muitas horas por dia e têm gasto energético mais elevado. Quando essa rotina muda, o corpo passa a gastar menos e, se a alimentação não for adaptada, o acúmulo de gordura ocorre de maneira mais fácil", explica o endocrinologista Fernando Eustáquio, do Hospital DF Star, em Brasília.
Outro fator que influencia o processo é o envelhecimento progressivo do organismo. A perda de massa muscular se acelera com a idade, reduzindo ainda mais o gasto energético basal. Assim, o que antes era queimado com facilidade passa a se depositar como gordura.
O lado emocional da transição
"Além disso, a aposentadoria pode trazer mudanças emocionais, perda de rotina e de propósito, piora do sono e alimentação emocional", acrescenta o endocrinologista Renato Zilli, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O vazio deixado pelos treinos diários e pelos objetivos esportivos pode levar a hábitos menos saudáveis.
Com tantos anos de uma rotina extremamente regrada, é natural que o indivíduo relaxe. No entanto, o descanso justo não pode ignorar os riscos. "Quando significativo, esse ganho de peso aumenta o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol elevado, gordura no fígado, apneia do sono e doenças cardiovasculares", diz Zilli.
Como evitar o ganho de peso?
O primeiro passo é se planejar antes mesmo de interromper a carreira. "A aposentadoria esportiva precisa ser planejada como uma transição de saúde. O ex-atleta não precisa manter o ritmo competitivo, mas deve preservar exercícios de força e aeróbicos, ajustar a alimentação ao novo gasto energético e acompanhar a composição corporal. Mais do que controlar o peso, o objetivo deve ser preservar massa muscular, saúde metabólica e qualidade de vida", aconselha Zilli.
Reconhecer que o organismo não é mais o mesmo do início de carreira é primordial. A realização de atividades físicas de força, aliadas às aeróbicas, ajuda a preservar a massa muscular e a saúde cardiovascular. Dormir o período adequado, realizar atividades de lazer e suplementar vitaminas quando indicado também são ações benéficas.
A importância do acompanhamento profissional
Todo o acompanhamento pós-aposentadoria deve ser realizado com ajuda profissional. "É importante lembrar que cada organismo responde de forma diferente. O peso corporal não depende apenas da alimentação e do exercício, mas também de genética, idade, hormônios, qualidade do sono, ambiente e hábitos de vida. Por isso, a avaliação e o acompanhamento devem ser individualizados", conclui Eustáquio.
Perguntas Frequentes
Quanto tempo leva para o ex-atleta começar a ganhar peso?
O ganho de peso pode começar nos primeiros meses após a aposentadoria, quando a rotina de treinos cessa e a alimentação ainda não foi ajustada.
Todo ex-atleta vai engordar?
Não. O ganho de peso depende de genética, idade, hormônios, qualidade do sono, ambiente e hábitos de vida, além da alimentação e do exercício.
Qual o melhor tipo de exercício para ex-atletas?
A combinação de exercícios de força e aeróbicos é a mais indicada para preservar massa muscular e saúde cardiovascular.
Existe uma dieta específica para ex-atletas?
Sim, a alimentação deve ser ajustada ao novo gasto energético, com acompanhamento profissional individualizado.
A suplementação é necessária?
A suplementação de vitaminas pode ser indicada quando necessário, sempre sob orientação profissional.
