Campeonatos no Brasil vivem banalização da mediocridade, analisa Tostão
A coluna de Tostão desta terça-feira (04/08/2026) traz uma análise contundente do futebol brasileiro. Para ele, os campeonatos no Brasil vivem uma clara banalização da mediocridade. Os últimos jogos da Copa do Brasil e do Brasileirão foram, na média, muito ruins, alguns em péssimos gramados, como o do Corinthians contra o Athletico Paranaense. A crítica vai além do espetáculo em campo.
Nas partidas, como é frequente no futebol brasileiro, houve muitos tumultos, reclamações, discussões, pressão sobre os árbitros e auxiliares, além de simulações. Tostão é direto: nenhum árbitro do mundo é capaz de controlar tanta bagunça. E reconhece que muitos gostam, dizendo que é o futebol raiz, mais emocionante.
A banalização da mediocridade e os fracassos da seleção
Para Tostão, a banalização da mediocridade nos campeonatos nacionais tem a ver com os fracassos da seleção brasileira. Ele amplia o diagnóstico: isso faz parte também do que acontece, há décadas, no país, com variados governos, que não conseguem diminuir a violência, a criminalidade, a corrupção, o enorme número de residências sem saneamento básico e tantas outras misérias.
A leitura é que as ações no futebol e nos governos costumam ser paliativas, populistas, sem mudanças nas estruturas. Não é uma crítica apenas ao esporte, mas a um padrão de gestão que se repete em várias esferas.
O erro de Ancelotti com Neymar contra a Noruega
A análise também passa pela seleção. Carlo Ancelotti voltou ao Brasil e reconheceu que errou ao escalar Neymar durante o segundo tempo contra a Noruega. Tostão observa que Ancelotti, com toda a sua experiência e conhecimento técnico, iludiu-se, como milhares de brasileiros, imaginando que Neymar, nos momentos difíceis, acharia uma solução mágica.
Faltou a Ancelotti reconhecer a ineficiência da estratégia de recuar para contra-atacar contra a Noruega, ainda mais acompanhada pela passividade de assistir aos noruegueses trocar passes e ficar com a bola, mesmo no campo do Brasil. Tostão pondera que marcar mais atrás para contra-atacar é uma estratégia que poderia dar certo, desde que houvesse pressão intensa para recuperar a bola.
A solução tática com três zagueiros e dois alas
Na história do futebol, muitas equipes que não possuem bons laterais, mas têm excelentes pontas, como a seleção brasileira, adotam com sucesso a formação tática com três zagueiros e dois pontas como alas. Guardiola já fez muito isso. O time fica mais ofensivo, ainda mais se marca mais à frente.
O Palmeiras atual é citado como exemplo: tem jogado com três zagueiros e dois alas, com o ponta-direita Allan e o lateral esquerdo Piquerez bastante avançado, para aproveitar a velocidade e os excelentes cruzamentos.
A necessidade de mudar conceitos no futebol brasileiro
O futebol brasileiro precisa melhorar dentro e fora de campo, em todas as atividades, especialmente na formação de jogadores. É necessário também mudar alguns conceitos. Tostão usa o exemplo de Rodri, que inicia as jogadas no próprio campo com precisos passes, além de ser ótimo na marcação. Rodri foi eleito o melhor jogador do Mundial.
A escolha é discutível, mas Tostão argumenta que ele foi merecidamente o melhor jogador da melhor seleção do mundo, sem fazer um gol e sem dar o último passe para o gol. E faz a crítica: no Brasil só valorizam quem faz gols ou dá o passe final para o gol.
Ancelotti anuncia renovação: Neymar, Casemiro e Danilo fora
Ancelotti anunciou que Neymar, Casemiro e Danilo (o do Flamengo) estarão fora da próxima convocação. Tostão comenta que deveria haver outros. É o início da renovação. Certamente, vários que estavam presentes no Mundial serão substituídos nos próximos anos.
A Uefa salva o futebol da venda para empresários
A coluna também aborda um tema institucional importante. A Uefa, formada por 55 países europeus, salvou o futebol, ao anunciar que não disputaria competições promovidas pela Fifa, como as Copas do Mundo masculina e feminina, se a entidade, como anunciara o presidente Infantino, vendesse o futebol para empresários.
Outras federações apoiaram a Uefa, menos a sul-americana Conmebol, que não se manifestou. Um silêncio que Tostão destaca.
Perguntas Frequentes
Por que Tostão diz que os campeonatos no Brasil vivem a banalização da mediocridade?
Porque os jogos são ruins, os gramados são péssimos e há muita confusão, com tumultos e pressão sobre os árbitros. Ele liga isso aos fracassos da seleção e à falta de mudanças estruturais.
Qual foi o erro de Ancelotti contra a Noruega?
Ancelotti reconheceu que errou ao escalar Neymar no segundo tempo. Tostão critica também a estratégia de recuar para contra-atacar sem pressão para recuperar a bola.
O que Tostão sugere para melhorar o futebol brasileiro?
Melhorar a formação de jogadores e mudar conceitos, valorizando atletas como Rodri, que não fazem gols, mas são essenciais para o time.
Quem está fora da próxima convocação da seleção?
Ancelotti anunciou que Neymar, Casemiro e Danilo (o do Flamengo) estarão fora da próxima convocação.
Qual o papel da Uefa na venda do futebol para empresários?
A Uefa, formada por 55 países europeus, anunciou que não disputaria competições da Fifa se a entidade vendesse o futebol para empresários, como anunciara o presidente Infantino. Outras federações apoiaram, menos a Conmebol.
análise da seleção brasileira após o Mundial o futuro de Neymar e a renovação da seleção como funciona a formação com três zagueiros no futebol

