Análises e Críticas

Datafolha: 64% dos brasileiros têm interesse em futebol

ResumoDatafolha, instituto de pesquisa brasileiro, registrou que 64% dos brasileiros manifestam interesse por futebol, percentual inferior ao observado em 2023. O levantamento aponta maior engajamento entre homens e pessoas com ensino superior. A queda no interesse reflete mudança no consumo esportivo nacional, com dados coletados em amostra representativa da população adulta do país.

Pesquisa Datafolha mostra que 64% dos brasileiros têm interesse em futebol, com queda em relação a 2023. Homens e ensino superior lideram o interesse.

··5 min de leitura
Datafolha: 64% dos brasileiros têm interesse em futebol
Datafolha: 64% dos brasileiros têm interesse em futebolFoto: Reprodução · Catavento

Datafolha: 64% dos brasileiros têm interesse em futebol

A cena do futebol brasileiro, que costumava reunir a família inteira em volta da televisão, agora divide espaço com outras telas e outras paixões. Uma pesquisa do Datafolha, divulgada em 31 de julho de 2026, mostra que 64% dos brasileiros têm interesse no futebol. O número, embora ainda majoritário, carrega um recuo que merece atenção.

O que diz a pesquisa Datafolha sobre o interesse em futebol

O levantamento foi realizado nos dias 22 e 23 de julho. Foram ouvidas 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios das cinco regiões do Brasil. A margem de erro para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Entre os interessados, a divisão é clara: 28% declaram ter muito interesse e 35% dizem ter um pouco de interesse. Já os 36% restantes afirmam não ter nenhum interesse. Ou seja, o futebol ainda conquista a maioria, mas a intensidade dessa relação diminuiu.

Interesse por gênero: homens seguem à frente

As entrevistas apontaram um interesse maior dos homens em relação ao das mulheres. Entre eles, os interessados são 77%, sendo 44% com muito interesse e 33% com um pouco. Entre elas, as interessadas são 52%, com 14% de muito interesse e 38% de um pouco. Nesse recorte, a margem de erro é de três pontos percentuais.

A diferença de 25 pontos percentuais entre os gêneros não é novidade, mas o dado ganha relevância quando se pensa na próxima Copa do Mundo feminina, que será no Brasil.

Escolaridade e o futebol: quanto mais estudo, mais interesse

Nota-se também uma distinção clara no recorte do grau de escolaridade. Entre aqueles com ensino fundamental, só 49% têm interesse, sendo 22% com muito e 27% com um pouco, com margem de erro de quatro pontos percentuais.

O número sobe para 67% entre as pessoas com ensino médio, com 32% de muito interesse e 35% de um pouco, margem de erro de três pontos. E alcança 75% entre aquelas com ensino superior, com 29% de muito e 46% de um pouco, margem de quatro pontos.

O padrão sugere que o interesse pelo esporte cresce conforme aumenta o nível educacional, um dado que os organizadores de eventos e os clubes precisam observar.

Queda em relação a 2023: o que mudou?

De maneira geral, o índice de interesse caiu em relação ao observado na pesquisa anterior sobre o tema, realizada de 31 de julho a 7 de agosto de 2023. Na ocasião, eram 72% de interessados, ante os 64% atuais. O número de desinteressados subiu de 28% para 36%.

A queda de oito pontos percentuais em três anos não é pequena. Ela pode estar ligada a uma série de fatores, desde a campanha decepcionante da seleção masculina até a concorrência de outras formas de entretenimento.

O mais recente levantamento ocorreu dias após o término da Copa do Mundo, com vitória da Espanha sobre a Argentina na decisão. O Brasil teve no torneio uma campanha decepcionante, interrompida nas oitavas de final, em derrota por 2 a 1 para a Noruega.

A Copa feminina de 2027 como chance de renovação

Agora as atenções se voltam para a disputa feminina. A Copa de 2027 ocorrerá em território brasileiro, e a expectativa é que o futebol das mulheres possa angariar novos interessados. A seleção verde-amarela mostrou qualidade nos últimos anos e vem da conquista de uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris.

"É motivo de muito orgulho sediar a Copa do Mundo feminina. Será uma oportunidade de mostrar ao mundo a nossa paixão pelo futebol e, principalmente, a força do futebol feminino brasileiro. Temos a certeza de que este será um Mundial transformador, capaz de inspirar meninas em todas as regiões do Brasil e deixar um legado duradouro", afirmou o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Samir Xaud.

A declaração chega num momento em que o interesse geral pelo futebol caiu. Resta saber se o Mundial em casa conseguirá reverter essa curva, especialmente entre as mulheres, que hoje representam o maior potencial de crescimento.

O que essa pesquisa significa para você

Se você faz parte dos 36% que não têm interesse, talvez a Copa feminina seja uma chance de se aproximar do esporte. Se você está entre os 64%, a queda no interesse geral pode ser um sinal de que o futebol precisa se reinventar para manter a paixão viva.

Para quem trabalha com o esporte, os dados são um termômetro: o público mais jovem e mais escolarizado é o mais engajado. Investir em formatos acessíveis e em narrativas que conectem o futebol a outros interesses pode ser o caminho.

Perguntas Frequentes

Qual a margem de erro da pesquisa Datafolha sobre futebol?

A margem de erro para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. Para recortes específicos, como gênero e escolaridade, a margem varia entre três e quatro pontos.

Quantas pessoas foram ouvidas na pesquisa?

Foram ouvidas 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios das cinco regiões do Brasil, nos dias 22 e 23 de julho.

Quando será a próxima Copa do Mundo feminina?

A Copa de 2027 ocorrerá em território brasileiro, segundo a fonte. A expectativa é que o evento aumente o interesse pelo futebol feminino no país.

O interesse pelo futebol caiu no Brasil?

Sim. Em 2023, 72% dos brasileiros tinham interesse no futebol. Agora, esse número é de 64%, com o percentual de desinteressados subindo de 28% para 36%.

Lúcia Hartmann Veloso
Sobre o autor · Cronista de Música e Cena Cultural

Anda show e bar de jazz, escreve sobre música ao vivo e a cena que a cerca.

Continue lendo · Análises e CríticasVer toda a editoria →