A carioca Viviane Lovati dos Santos, de 46 anos, perdeu os dois rins por doença renal policística hereditária e depende de hemodiálise há nove anos. O diagnóstico veio cedo: aos 9 anos, já tinha três cistos no rim esquerdo. O primeiro caso na família foi o do pai, descoberto após crises de cálculo renal, o que levou os parentes a fazer exames preventivos.
A doença renal policística hereditária (DRP) é uma condição genética em que se formam, progressivamente, múltiplos cistos cheios de líquido nos rins, explica a nefrologista Maria Aparecida Arroyo, vice-presidente regional da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) do Mato Grosso do Sul. "Esses cistos aumentam de tamanho e número ao longo dos anos, fazendo os rins crescerem aos poucos, comprimindo e substituindo o tecido renal saudável." A forma mais comum em adultos é a autossômica dominante (DRPAD/ADPKD), ligada a alterações nos genes PKD1 ou PKD2.
Viviane foi assintomática por muitos anos. Aos 24, começaram os primeiros problemas; aos 33, veio a hipertensão e os rins cresceram a ponto de serem perceptíveis externamente. Com a evolução, os órgãos pressionavam o estômago, causando refluxo até ao beber água. Em 2017, ela passou pela primeira nefrectomia, cirurgia de retirada parcial ou total de um rim, e depois precisou retirar o outro. Hoje, vive sem os dois rins.
Nesse estágio, indica-se terapia renal substitutiva, como hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal. O impacto levou Viviane à depressão e à perda de força muscular no lado esquerdo. Foram 17 procedimentos cirúrgicos e diversas internações em CTI. O nefrologista Pedro Mendes Filho, do Hospital Brasília, esclarece que ainda não há cura para a doença, mas alguns fatores aceleram a perda da função renal, como obesidade, hipertensão não controlada e perda de proteínas pela urina. Viviane, porém, segue firme: "Estou viva, e isso é o que importa." doença renal crônica
