Nesta quinta-feira (27), a partir das 23h34, horário de Brasília, um eclipse parcial da Lua poderá ser visto em todo o território brasileiro. O ponto máximo será às 01h31, já na madrugada da sexta-feira (28), quando a Lua estará na fase mais obscura. Se o céu estiver limpo, basta olhar para cima.
A astrônoma do Observatório Nacional Josina Oliveira do Nascimento explicou à Agência Brasil que esse tipo de eclipse ocorre toda vez que a Lua entra na sombra da Terra, formada pela incidência do Sol. "Sempre existe a sombra da Terra no espaço, porque o Sol está sempre iluminando a Terra, mas a Lua nem sempre entra nessa sombra", disse. Ela detalhou que todos os corpos iluminados têm duas sombras: a penumbra, mais clara, e a umbra, mais escura.
Para observar, é preciso paciência. Segundo Josina, ao entrar na penumbra, às 22h24, não dá para notar diferença no brilho lunar. A mudança visível começa às 23h34, quando a Lua entra na umbra. Primeiro, um pontinho preto aparece e evolui até tomar a forma de uma "mordidinha". Quando estiver 96,2% tomada, a Lua começa a sair da umbra e ganha uma tonalidade avermelhada. A fase parcial dura 3h18: começa às 23h34, atinge o máximo às 1h13, já do dia 28, e termina às 2h52.
Ao contrário do eclipse solar, este pode ser visto a olho nu, de qualquer lugar. "A única coisa que vai fazer com que você não veja o eclipse é se chover ou ficar nublado", apontou a astrônoma. Quem estiver em fuso diferente do de Brasília deve subtrair a diferença: no fuso de menos 4 horas, diminui 1 hora dos horários previstos.
O Observatório Nacional informou que o eclipse "pertence ao Saros 138, um ciclo de aproximadamente 18 anos que governa a recorrência de eclipses com características semelhantes". Para quem quiser acompanhar, haverá live no canal do YouTube do Observatório a partir das 23h, no programa O Céu em sua Casa: observação remota. Veículos de comunicação podem retransmitir a cobertura gratuitamente, avisando antes pelo e-mail [email protected].
A astrônoma, com 47 anos de profissão, destaca que o céu envolve as pessoas e ajuda na divulgação científica. "Não conheço, e nunca ouvi ninguém dizer que não gosta de olhar para o céu", disse. Para o ano que vem, ela adianta: "vamos ter dois eclipses só penumbrais", sem a fase escura característica.
