Análises e Críticas

Fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso

ResumoO fóssil de peixe pré-histórico de 254 milhões de anos, descoberto em Alto Garças (MT), representa uma nova espécie apresentada em estudo com a Uerj. O achado contribui para reconstruir o ecossistema anterior à maior extinção em massa da Terra, fornecendo dados sobre a fauna aquática do período Permiano.

Nova espécie de peixe pré-histórico de 254 milhões de anos é apresentada em estudo com a Uerj. O fóssil, achado em Alto Garças (MT), ajuda a reconstruir ecossistema anterior à maior extinção em massa da Terra.

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Fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso
Fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato GrossoFoto: Reprodução · Catavento

Uma nova espécie de peixe pré-histórico, que viveu há cerca de 254 milhões de anos, acaba de ser apresentada em estudo científico com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O fóssil, encontrado no município de Alto Garças, em Mato Grosso, está excepcionalmente preservado e oferece rara oportunidade de conhecer a vida no continente sul-americano nos momentos que antecederam uma das maiores transformações da história da Terra.

A nova espécie pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas (actinopterígios), que reúne cerca de 96% dos peixes vertebrados atuais, incluindo atum, salmão e bacalhau. O animal tinha aproximadamente 15 centímetros de comprimento e corpo protegido por escamas resistentes formadas por dentina e esmalte, os mesmos materiais encontrados nos dentes humanos.

O achado raro em escala mundial

Enquanto grande parte dos peixes dessa idade encontrados no Brasil é conhecida apenas por dentes, escamas ou fragmentos ósseos isolados, o exemplar de Leolepis conserva praticamente todo o corpo. O estudo o classifica como o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já encontrado em Mato Grosso, além de representar um achado raro em escala mundial.

O peixe viveu durante o Permiano Superior, em grande sistema aquático continental formado a partir de um antigo mar interior existente quando a América do Sul e a África ainda estavam unidas no supercontinente Gondwana.

Pelo tamanho reduzido dos dentes, os pesquisadores estimam que Leolepis se alimentava de pequenos invertebrados e plantas. O fóssil, portanto, ajuda a reconstruir parte de um ecossistema que existia pouco antes da chamada extinção Permo-Triássica, ocorrida há aproximadamente 252 milhões de anos. O evento foi o maior episódio de extinção em massa conhecido pela ciência: cerca de 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas desapareceram.

Há ainda uma coincidência geológica que torna a descoberta particularmente interessante: o fóssil foi encontrado a apenas 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem preservada estrutura desse tipo na América do Sul.

O que a descoberta revela

A pesquisadora do Departamento de Zoologia da Uerj, Valéria Gallo, envolvida na descrição do fóssil, afirma que "por estar excepcionalmente preservado, o exemplar pode ajudar os pesquisadores a reconhecer a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e a estabelecer novas correlações entre diferentes formações geológicas".

O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira, que posteriormente o disponibilizou para estudo e o depositou na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. A descoberta também é importante porque o registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul ainda é considerado pouco conhecido.

Lúcia Hartmann Veloso
Sobre o autor · Cronista de Música e Cena Cultural

Anda show e bar de jazz, escreve sobre música ao vivo e a cena que a cerca.

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