Fifa: recuo de Infantino alimenta dúvidas sobre seu futuro
O futuro de Gianni Infantino como presidente da entidade que comanda o futebol mundial está em séria dúvida depois que ele abandonou um plano polêmico de criar uma nova entidade comercial a partir da Fifa e vender uma participação a investidores. O anúncio ocorreu na noite de sexta-feira (31), após dias de críticas intensas que incluíram a promessa de boicote por 55 países europeus. A reviravolta, embora alivie parte da tensão, deixou o dirigente suíço sob pressão.
O que mudou para o futebol mundial?
O recuo de Infantino não encerra a crise. Pelo contrário, abre um período de incerteza sobre quem comanda o futebol global e como as decisões serão tomadas daqui para frente. Para torcedores e federações, a principal consequência prática é a paralisação de projetos ambiciosos, como a expansão da Copa do Mundo para 64 seleções, que agora enfrenta resistência severa.
Por que Infantino recuou?
Infantino, que lidera a organização sem fins lucrativos com sede na Suíça há uma década, anunciou que descartava o esquema de investimento dizendo que ele havia "criado divisões" dentro do futebol que minavam os objetivos do plano. A pressão veio de 55 países europeus, que prometeram boicotar todas as competições da Fifa até que o plano fosse abandonado.
A reação da Uefa e das federações
A Uefa, entidade que comanda o futebol europeu, disse no sábado que havia "perdido a confiança" na atual liderança da Fifa, acrescentando: "Devemos identificar os responsáveis e responsabilizá-los". A entidade acusou os responsáveis pelo plano de tentar forçar um "acordo obscuro, de bastidores e mal-ajambrado" e saudou seu fim.
"Esta é uma vitória para todo o esporte. Mas não deve ser o fim da história", disse a Uefa. "A proposta foi embora. A tarefa de reconstruir a confiança na Fifa apenas começou."
A federação de futebol da Inglaterra pediu uma "revisão completa e rigorosa da liderança e governança da Fifa". Um alto dirigente do futebol foi mais direto: "Ele tem que sair. Chega".
O que Infantino disse?
Na sexta-feira, Infantino insistiu que pretendia permanecer no cargo. "Daqui para frente, minha intenção é reunir novamente todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, no espírito de interesse compartilhado em nosso esporte", disse. Durante a Copa do Mundo, sua candidatura foi endossada pela grande maioria dos 211 membros da Fifa, o que reforça sua base de apoio.
O histórico a favor de Infantino
Infantino vai se apoiar em seu histórico para sustentar seu caso. Durante sua década no comando, a Fifa aumentou os pagamentos anuais aos membros de US$ 250 mil para US$ 2 milhões, ajudando-o a construir uma ampla base de apoio, especialmente entre as nações menores. O plano de investimento abandonado teria elevado esses pagamentos para US$ 5 milhões anuais, com um pagamento inicial único de US$ 20 milhões, que Infantino disse que ajudaria o futebol a crescer nos lugares que mais precisam de financiamento.
O ciclo de quatro anos que terminou com a Copa do Mundo do mês passado vai gerar pelo menos US$ 15 bilhões para a entidade, ante US$ 7,6 bilhões nos quatro anos anteriores. Esses números explicam por que confederações de África, América do Sul e Oceania não expressaram objeções à cisão comercial, apenas dizendo que estudariam as propostas com seus membros.
Quem pode desafiar Infantino?
Victor Montagliani, presidente da Concacaf, que administra o esporte na América do Norte, América Central e Caribe, foi apontado como um possível candidato que poderia desafiar Infantino na próxima eleição. Alguns esperam que ele resista até a eleição presidencial do próximo ano, na qual até recentemente era amplamente esperado que não tivesse oposição.
"Ele provavelmente vai se agarrar ao cargo o máximo possível, esperando conseguir superar isso", disse um ex-dirigente da Fifa. "A falta de oposição unificada vai jogar a favor dele."
O que esperar daqui para frente
Mesmo que Infantino permaneça no cargo, sua capacidade de aprovar quaisquer mudanças, como expandir a Copa do Mundo para 64 seleções, estará severamente comprometida. A Uefa disse que trabalhará em uma revisão "completa e fundamental" sobre o que aconteceu e elaborará um plano para evitar que isso aconteça novamente. "Nenhuma opção deve ser descartada", disse a entidade.
Ronan Evain, diretor-executivo da Football Supporters Europe, foi taxativo: "A Fifa e o futebol são maiores que Gianni Infantino. Ele se tornou um perigo para o nosso esporte e simplesmente precisa sair". história da Fifa e suas crises
Perguntas Frequentes
Infantino vai renunciar?
Não há indicação de renúncia imediata. Infantino afirmou que pretende permanecer no cargo e reunir as partes interessadas nos próximos dias e semanas.
O que motivou o recuo no plano de investimento?
A pressão de 55 países europeus, que prometeram boicotar todas as competições da Fifa, e as críticas intensas de entidades como a Uefa e a federação inglesa.
Quem pode substituir Infantino?
Victor Montagliani, presidente da Concacaf, foi citado como possível candidato na próxima eleição presidencial.
Como isso afeta a Copa do Mundo?
A expansão para 64 seleções, que era uma possibilidade, agora está comprometida pela perda de confiança na liderança da Fifa.
O que a Uefa vai fazer agora?
A Uefa trabalhará em uma revisão completa e fundamental sobre o ocorrido, sem descartar nenhuma opção para evitar que se repita.
