Análises e Críticas

Filmes paternidade maternidade: 9 obras que tocam a fundo

ResumoA lista de 9 filmes sobre paternidade e maternidade apresenta obras que exploram o tema com profundidade, afastando-se de clichês e maniqueísmos. Cada longa-metragem aborda aspectos como luto, comédia e fracasso na criação de filhos, oferecendo perspectivas complexas sobre cuidar e educar. A curadoria prioriza narrativas que tocam o espectador sem simplificar as relações familiares.

Paternidade e maternidade no cinema vão além do clichê. Esta lista reúne 9 filmes que tratam o tema com complexidade, sem maniqueísmo. Do luto à comédia, cada obra oferece um olhar específico sobre criar, cuidar e falhar.

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Paternidade e maternidade são temas que o cinema trata há décadas, mas poucos filmes conseguem escapar do clichê do pai ausente ou da mãe abnegada. A seleção abaixo reúne 9 obras que abordam a criação de filhos com complexidade, sem maniqueísmo. Há drama, comédia e até fantasia, sempre com um olhar crítico sobre o papel parental.

1. Pequena Mamãe (2021)

A diretora Céline Sciamma constrói um conto delicado sobre luto e infância. Nelly, de 8 anos, perde a avó e encontra uma menina idêntica a ela na floresta. A amizade entre as duas permite que a protagonista conheça a mãe quando criança, entendendo suas dores sem julgamento.

O filme dura 72 minutos e não explica a fantasia, o que o torna mais poético. Em vez de resolver o mistério, Sciamma aposta na empatia entre gerações. A maternidade aqui é vista como herança de afetos e silêncios, não como obrigação.

2. Ainda Estou Aqui (2024)

A adaptação do livro de Marcelo Rubens Paiva, dirigida por Walter Salles, coloca a maternidade no centro de um drama político. Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres, sustenta a família após o desaparecimento do marido durante a ditadura militar.

O filme não romantiza a mãe heroica. Eunice falha, se esgota e ainda assim segue. A obra mostra como o cuidado parental se torna ato de resistência em contexto autoritário, sem transformar a personagem em símbolo vazio.

3. As 4 Filhas de Olfa (2023)

Kaouther Ben Hania mistura documentário e ficção para contar a história de Olfa, mãe tunisiana de quatro filhas. Duas delas desapareceram após se juntarem ao Estado Islâmico. A diretora usa atrizes para preencher as lacunas das ausentes.

O resultado é um retrato cru sobre maternidade e culpa. Olfa é autoritária, contraditória e profundamente humana. O filme não oferece respostas fáceis, mas expõe as fraturas de uma relação familiar marcada por escolhas políticas e afetivas.

4. Papai é Pop (2021)

A comédia estrelada por Marcos Caruso e Ingrid Guimarães parte do título para discutir paternidade, mas desloca o foco para a mãe que se sente sozinha na jornada. O filme acompanha um pai avô que precisa reaprender a conviver com a filha adulta e o neto.

A produção brasileira acerta ao mostrar que o cuidado parental não é automático. O personagem de Caruso erra, é corrigido e tenta de novo. O humor funciona como porta de entrada para uma reflexão sobre divisão de tarefas e afeto.

5. Pérola (2017)

Murilo Benício dirige um drama sobre a relação entre um pai e sua filha com paralisia cerebral. O filme acompanha a rotina de cuidados, as dificuldades financeiras e o isolamento social que a condição impõe à família.

O longa evita o tom de superação barata. Em vez disso, mostra a exaustão física e emocional do pai, interpretado por Benício. A paternidade aqui é apresentada como trabalho contínuo, não como gesto heroico pontual.

6. O Filho Eterno (2016)

Baseado no livro de Cristovão Tezza, o filme acompanha um pai em conflito com o diagnóstico de síndrome de Down do filho. A narrativa é dura ao expor o ressentimento inicial do protagonista, que precisa reconstruir sua ideia de paternidade.

O longa brasileiro não suaviza as falhas do pai. Ele é egoísta, impaciente e, aos poucos, se transforma. A obra é relevante porque mostra que o vínculo parental não nasce pronto, mas se constrói com erros e acertos.

7. Turma da Mônica: Laços (2019)

A adaptação dos quadrinhos de Vitor e Lu Cafaggi coloca a maternidade em segundo plano, mas com função estrutural. A mãe do Cebolinha, Dona Cera, aparece como figura que preocupa, mas também como limite afetivo que o menino precisa testar.

O filme funciona para discutir paternidade de forma indireta. A busca por Floquinho, o cachorro perdido, é uma metáfora da infância que se despede. A relação entre os pais e os filhos é mostrada com leveza, sem idealização.

8. Minha Mãe é uma Peça (2013)

A adaptação do monólogo de Paulo Gustavo se tornou fenômeno de bilheteria no Brasil. Dona Hermínia é uma mãe superprotetora, dramática e profundamente cômica. O filme funciona porque a personagem não é caricata, mas reconhecível.

A obra discute maternidade a partir do excesso. Hermínia invade a privacidade dos filhos, mas também é quem segura a casa. O humor permite que o público ria das próprias relações familiares sem desqualificar o cuidado materno.

9. O Filho (2019)

O drama belga dirigido por Alexander Payne acompanha um pai que tenta se reconectar com o filho após anos de distância. O reencontro expõe mágoas antigas e a dificuldade de reparar o que foi quebrado.

O filme não oferece final redentor. O pai falha, o filho resiste, e a relação permanece aberta. Essa ausência de conclusão é o que torna a obra honesta sobre paternidade: nem todo vínculo se cura, mas o esforço ainda tem valor.

Qual escolher conforme o caso

Se você busca um drama político com mãe forte, comece por Ainda Estou Aqui. Para uma reflexão poética sobre luto e maternidade, Pequena Mamãe é a escolha. Quem prefere humor com crítica social encontra em Papai é Pop e Minha Mãe é uma Peça opções leves, mas não superficiais.

Para pais que enfrentam desafios específicos, O Filho Eterno e Pérola oferecem identificação direta. As 4 Filhas de Olfa é a mais dura, indicada para quem quer sair da zona de conforto. Turma da Mônica: Laços funciona para assistir com crianças, sem abrir mão da complexidade.

FAQ

Qual filme brasileiro sobre paternidade é mais indicado?

O Filho Eterno é a escolha mais forte para discutir paternidade no cinema nacional. O longa expõe as falhas do pai sem julgamento moral. Papai é Pop também funciona, mas com tom mais leve. A escolha depende do que você quer priorizar: drama ou comédia.

Existe filme sobre maternidade que não seja dramático?

Minha Mãe é uma Peça é a opção mais leve, mas ainda assim discute maternidade com profundidade. Pequena Mamãe, da francesa Céline Sciamma, mistura fantasia e drama sem pesar. A comédia não diminui a complexidade do tema.

Qual filme aborda a relação entre pai e filho com deficiência?

Pérola, de Murilo Benício, é o exemplo mais direto. O filme mostra a rotina de cuidados e a exaustão do pai. O Filho Eterno também trata do tema, mas foca na síndrome de Down e no luto do pai pela ideia de filho perfeito.

Ainda Estou Aqui é um filme sobre maternidade?

Sim, embora o contexto político seja central. A personagem de Fernanda Torres exerce a maternidade em meio à repressão. O filme mostra como o cuidado parental se torna ato político de resistência, sem romantizar a mãe.

Qual filme é melhor para assistir com crianças?

Turma da Mônica: Laços é a opção mais adequada. A história é acessível, mas não subestima o público infantil. A relação com os pais aparece de forma orgânica, sem lição de moral. Pequena Mamãe também pode funcionar, mas exige mais mediação.

Há algum filme desta lista que fuja do clichê do pai ausente?

O Filho, de Alexander Payne, mostra um pai que tenta se reconectar, mas falha. Papai é Pop também desconstrói a ideia do pai que não participa. Ambos tratam a paternidade como processo, não como estado fixo.

Fábio Drummond Nóbrega
Sobre o autor · Crítico de Cinema Brasileiro

Especialista em produção nacional, defende o filme brasileiro sem paternalismo.

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