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MPSP revela suposta ligação de coronéis da PM com o PCC

ResumoO Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelou suposta ligação de três coronéis da Polícia Militar com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os coronéis José Augusto Coutinho, ex-comandante geral, e Pereira Martins, diretor de ensino, são citados em investigação sobre estrutura financeira da facção criminosa. Áudios e planilha de pagamento integram as provas.

O Ministério Público de São Paulo revelou que pelo menos três coronéis da Polícia Militar são citados em investigação sobre estrutura financeira do PCC. Entre eles, o ex-comandante geral José Augusto Coutinho e o diretor de ensino Pereira Martins. Áudios e uma planilha de pagamen

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MPSP revela suposta ligação de coronéis da PM com o PCC
MPSP revela suposta ligação de coronéis da PM com o PCCFoto: Reprodução · Catavento

Investigação do MPSP revela suposta ligação de coronéis da Polícia Militar com o PCC

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelou, nesta terça-feira (21/7), que pelo menos três coronéis da Polícia Militar do estado são mencionados em uma investigação crucial. O inquérito apura uma complexa estrutura financeira utilizada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e outras organizações criminosas para ocultar patrimônio, com desdobramentos da Operação Janus visando operadores do esquema.

Três coronéis da PM de São Paulo são citados em investigação do MPSP que apura suposta ligação com o PCC. São eles: José Augusto Coutinho (ex-comandante geral), Pereira Martins (diretor de ensino) e um terceiro, identificado apenas como "Patrício". Áudios e uma planilha de pagamentos constam como evidências. Os oficiais não foram formalmente acusados.

Quem são os coronéis mencionados na investigação do MPSP

A representação que fundamentou os mandados de busca e prisão detalha a suposta proximidade de investigados-chave com figuras proeminentes da PM. Entre eles, destaca-se o coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante geral da corporação, que foi exonerado em abril por suspeitas de envolvimento com a maior facção do país, conforme noticiado pelo Metrópoles.

Outro oficial mencionado é o coronel Pereira Martins, identificado como diretor de ensino da Polícia Militar. A investigação também faz referência a um terceiro coronel, conhecido apenas como "Patrício", cujo nome completo não foi divulgado.

O que dizem os áudios da investigação

Em áudios cruciais transcritos pela equipe de investigação, Cleber Azevedo dos Santos, um dos operadores financeiros com suposta ligação ao PCC, fornece detalhes sobre sua relação com a alta cúpula da Polícia Militar. Nessas conversas, Eduardo Américo Coelho, funcionário de Cleber, chega a se referir a um dos oficiais como "coronel Cabeção".

Em um trecho de diálogo sem data especificada, Cleber afirma: "Fala pra ele que é o coronel Pereira Martins, diretor de ensino. Coronel Pereira Martins e o Coronel Coutinho, que está na Rota hoje, que é da Rota, do Choque, ele comanda tudo: Rota, Choque... que é amigo do Robson, amigo do coronel".

Ele complementa a descrição, dizendo: "Tinha o 'pica' hoje que está na Rota e no Choque... é o coronel de tudo, é o comandante de tudo. Não coronel de tudo, comandante de tudo".

Eduardo responde, com um tom de humor: "Vou falar para ele aqui, porque falar coronel Cabeção, né? (risos) Sei nem o nome dele, só conheço como cabeção... Eu falei, vou perguntar aqui... Obrigado, Clebão".

Evidências financeiras e a planilha de pagamentos

Como evidência, os promotores anexaram ao relatório uma imagem que mostra o coronel Pereira Martins ao lado de Cleber Azevedo dos Santos, aparentemente em uma festa. Na fotografia, o oficial sorri enquanto o investigado segura uma garrafa e um copo de cerveja.

Diálogos adicionais revelam que Cleber Azevedo dos Santos também forneceu a Amjad Ahmad, outro indivíduo apontado como operador financeiro da facção, informações sobre pagamentos destinados a policiais. Em abril de 2022, Cleber questionou: "Chefão, estou precisando de dinheiro para pagar a polícia e não tenho. Vc tem como mandar o nosso saldo por favor?".

Uma planilha datada de dezembro de 2019, enviada por uma colaboradora identificada como 'Ellen' a Cleber Azevedo, contém o registro explícito de um pagamento de R$ 1 mil ao Coronel Patrício. Segundo relatórios financeiros do MPSP, esse valor "demonstra a injeção de recursos em espécie no esquema".

O que diz o MPSP sobre os coronéis

Para os promotores, a série de pagamentos mapeados e a notável proximidade com oficiais de comando não são meras coincidências, mas sim indícios de um canal estruturado de influência. É importante ressaltar que os membros da Polícia Militar mencionados não foram alvos da operação deflagrada nesta terça-feira, nem foram formalmente denunciados ou acusados no âmbito deste caso.

Como funciona a Operação Janus

A Operação Janus tem como foco a investigação da atuação de operadores financeiros que beneficiam diretamente a facção criminosa. Os indivíduos visados são suspeitos de movimentar grandes volumes de recursos, converter dinheiro em espécie para transferências bancárias e participar ativamente da ocultação, circulação e disponibilização de valores atribuídos ao PCC.

As autoridades indicam que os investigados teriam orquestrado diversas operações, incluindo a entrega de numerário em espécie, a realização de transferências bancárias, o uso de empresas e contas de terceiros, e a movimentação de recursos em prol de integrantes e colaboradores da facção.

Resultados da operação

No total, a operação resultou no cumprimento de 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão. Estas ordens foram expedidas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores.

Perguntas Frequentes

Os coronéis foram presos?

Não. Os membros da Polícia Militar mencionados não foram alvos da operação deflagrada nesta terça-feira, nem foram formalmente denunciados ou acusados no âmbito deste caso.

Quem é o coronel "Patrício"?

O nome completo do coronel conhecido como "Patrício" não foi divulgado pela investigação. Ele é mencionado em uma planilha de pagamentos de R$ 1 mil.

O que é a Operação Janus?

É uma investigação do MPSP focada em operadores financeiros que beneficiam o PCC, suspeitos de movimentar grandes volumes de recursos e ocultar patrimônio da facção.

Quantos mandados foram cumpridos?

Foram cumpridos 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens.

O que dizem os áudios da investigação?

Cleber Azevedo dos Santos, operador financeiro com suposta ligação ao PCC, menciona em áudios os coronéis Pereira Martins e José Augusto Coutinho, descrevendo suas posições e suposta influência na corporação.

Caio Sttédile Marques
Sobre o autor · Crítico de Cinema e Streaming

Mapeia o que vale a pena na enxurrada de catálogo, do algoritmo à autoria.

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