O Ministério da Justiça e Segurança Pública confirmou, nesta quarta-feira (19), que o Centro Nacional de Inteligência Penal (Cnip) iniciará suas operações ainda este mês. A nova estrutura reúne órgãos de inteligência das polícias penais federal, dos estados e do Distrito Federal, com o objetivo de unificar protocolos de segurança e coibir o planejamento de crimes a partir do interior dos estabelecimentos prisionais brasileiros.
Instituído em junho deste ano pela Portaria Ministerial 1.234, o Cnip integra o projeto Padrão Segurança Máxima, parte do programa federal Brasil Contra o Crime Organizado. Responsável por coordenar a Rede Nacional de Inteligência Penitenciária (Renipen), o centro atuará em regime contínuo para integrar, consolidar e difundir informações de inteligência penal, além de monitorar crises e dar suporte técnico à Secretaria Nacional de Políticas Penais e aos entes federativos.
A estratégia ministerial busca sufocar a comunicação entre integrantes de organizações criminosas. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, isso exige integração entre forças federais e estaduais e ação coordenada para impedir a entrada ilegal de celulares nos presídios. "O problema do celular figura como uma das principais questões ligadas à percepção de segurança pública", disse Silva em entrevista coletiva sobre o enfrentamento aos ilícitos com telefones celulares. "Os aparelhos fazem parte de uma cadeia que diz respeito ao furto, ao roubo e à receptação. Em alguns casos, temos um ciclo completo, no qual o dispositivo chega, inclusive, às mãos do crime organizado nos presídios."
Durante a coletiva, o ministério apresentou resultados preliminares de ações como a Operação Última Chamada, entre 10 e 19 de agosto: foram recuperados 6.052 celulares, 97 prisões em flagrante, 227 comércios fiscalizados e mais de 33 mil alertas enviados a pessoas com aparelhos irregulares. No sistema penitenciário, operações da Secretaria Nacional de Políticas Penais entre maio e agosto, com estados e Distrito Federal, apreenderam 2.254 celulares e revistaram quase 9,9 mil celas em 295 unidades. Os roubos e furtos de celulares caíram de 225.644 no primeiro trimestre de 2025 para 215.589 em 2026, redução de 4,5%.
Para o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, as ações são fundamentais para interromper o furto, roubo, receptação e comércio ilegal de celulares. "Essa cadeia de crimes termina, ocasionalmente, no sistema prisional. Isso atinge o dia a dia do cidadão, na aplicação de golpes e outras questões relacionadas a execuções de crimes letais intencionais. Por isso, é tão importante, além de compreender essa cadeia, romper o ciclo", concluiu.
