Mulheres de minorias raciais fazem menos exercícios no tempo livre, revela estudo da USP
Um estudo da USP, a Universidade de São Paulo, que acompanhou quase mil pessoas ao longo de dez anos, constatou que mulheres de minorias raciais - como pretas, pardas, amarelas e indígenas - com baixa escolaridade têm os menores índices de atividade física no tempo livre. A pesquisa revela que o exercício no lazer é um privilégio de grupos mais favorecidos socialmente, como homens brancos com maior escolaridade.
Entre 2014 e 2024, a prática de atividade física cresceu entre a população de São Paulo, mas esse aumento foi consideravelmente maior entre grupos socialmente favorecidos. A nutricionista e pesquisadora da USP, Andreia Miranda, ressalta que as desigualdades não apenas persistiram ao longo de uma década, como se tornaram ainda mais evidentes.
Atividade física como reflexo de desigualdades
"Nosso estudo mostra que a atividade física não é apenas uma escolha individual, ela também reflete as desigualdades que existem na sociedade", afirma Andreia Miranda. "Sabemos que a prática de atividade física no lazer depende de tempo livre, acesso a espaços adequados, segurança, recursos financeiros e oportunidades para se exercitar."
Além do fator econômico, a questão de gênero também foi determinante. Mulheres que acumulam jornadas duplas ou triplas de trabalho, com o cuidado da casa e dos filhos, têm ainda menos tempo para lazer e para a prática da atividade física.
Acesso a espaços públicos e o papel das políticas públicas
A desigualdade também está presente no acesso a espaços públicos para a prática de exercícios. Políticas públicas poderiam reduzir esse abismo, como explica a pesquisadora: "O acesso a espaços seguros e gratuitos para a prática de atividade física é fundamental para reduzir essas desigualdades. É preciso garantir que eles estejam presentes, sobretudo, nas regiões mais vulneráveis da cidade, que sejam seguros, bem cuidados e acessíveis também para mulheres, idosos e populações mais desfavorecidas."
Os dados, divulgados em artigo publicado em uma revista científica internacional da área de nutrição e atividade física, mostram que a diferença é menor quando se analisa a prática de exercício associada ao transporte urbano, como nas caminhadas. Porém, para os grupos mais desfavorecidos, caminhar para se deslocar não é uma ação pensada como forma de promover a saúde ou o lazer, mas uma necessidade relacionada à falta de acesso ao transporte público e à mobilidade urbana.
Perguntas Frequentes
Por que mulheres de minorias raciais fazem menos exercícios?
O estudo da USP aponta que a falta de tempo livre, recursos financeiros, segurança e acesso a espaços adequados são barreiras principais.
Qual foi o período do estudo da USP?
A pesquisa acompanhou o mesmo grupo de quase mil pessoas ao longo de dez anos, entre 2014 e 2024.
O que Andreia Miranda, pesquisadora da USP, diz sobre o tema?
Ela afirma que a atividade física reflete desigualdades sociais e que o acesso a espaços seguros e gratuitos é fundamental para reduzi-las.
A caminhada é considerada atividade física no estudo?
Sim, mas para grupos desfavorecidos, caminhar para se deslocar é uma necessidade, não uma escolha de lazer.
Como as políticas públicas podem ajudar?
Garantindo espaços seguros e gratuitos nas regiões mais vulneráveis, bem cuidados e acessíveis para mulheres, idosos e populações desfavorecidas.
