No ar gelado de Munique, a bola começou a rolar na Europa. Na decisão da Supercopa da Alemanha, o Bayern de Munique venceu o Borussia Dortmund por 2 a 1, em jogo que antecede o campeonato nacional. A taça carrega o nome de Franz Beckenbauer, um dos maiores da história do futebol alemão, campeão do mundo como jogador e como técnico. Tostão, na coluna desta terça-feira, lembra que Beckenbauer foi o melhor líbero de todos os tempos. As pessoas confundem o líbero com o zagueiro de sobra. Quando o adversário tinha a bola, ele se posicionava atrás dos dois zagueiros; quando o time recuperava, virava meio-campista, jogando de uma intermediária à outra. Elegância com a cabeça em pé, raramente errava um passe.
Na arquibancada, o novo técnico da seleção alemã, Klopp, observava o trio de atacantes do Bayern: o francês Olise, o centroavante inglês Kane e o colombiano Luís Dias. Três grandes do futebol mundial, e Klopp sentiu a diferença para o ataque da Alemanha, que fracassou nas Copas de 2018, 2022 e 2026, após o 7 a 1 e o título de 2014. Klopp, entusiasta da pressão em todo o campo, disse que melhor que um excelente meia centralizado é tomar a bola perto do gol adversário. Foi assim que o Atlético-PR fez os dois primeiros gols na vitória por 3 a 2 sobre o Botafogo. Enquanto isso, vários brasileiros que podem ser convocados por Ancelotti tiveram boas atuações na Europa. Dizem que Ancelotti está por lá vendo os jogos, mas Tostão sugere que ele deveria assistir também ao Brasileirão, à Copa do Brasil e à Libertadores.
No Brasileirão, começaram as dez novas regras testadas pela Fifa no Mundial. Mudanças positivas, ainda mal assimiladas. Muitas vão aumentar o tempo de bola rolando, e uma delas, a de que só o capitão fala com o árbitro, ainda não funcionou. Continuam os tumultos, as rodinhas de reclamação, as ofensas, com incentivo de alguns treinadores agitados. E o capitão Neymar, novamente, mostrou talento em campo e enorme agressividade nas reclamações à árbitra Edina, durante Santos e Mirassol. Um chato de galochas, escreve Tostão.
A cena se repete nos pequenos palcos do futebol brasileiro: o craque que encanta com a bola e se perde na discussão. A noite em Munique revelou um futebol de pressão e elegância; aqui, a agressividade fora de hora rouba a cena. Talvez Ancelotti, se olhasse mais para o Brasil, visse o que Tostão vê: talento sobrando, mas uma postura que cansa. Resta saber se as novas regras vão, enfim, acalmar os ânimos, ou se o espetáculo segue refém dos que não sabem perder a cabeça.
