Análises e Críticas

Operação liberta quase 500 pessoas em trabalho análogo à escravidão

ResumoOperação conjunta de auditores fiscais, Defensoria Pública da União e Polícia Federal resgatou 479 trabalhadores em condições análogas à escravidão em agosto, incluindo 13 crianças e 66 estrangeiros, após 231 fiscalizações. O caso mais grave foi registrado em Estrela do Sul, Minas Gerais.

Força-tarefa com auditores fiscais, DPU e Polícia Federal realizou 231 fiscalizações em agosto e resgatou 479 trabalhadores em situação análoga à escravidão, incluindo 13 crianças e 66 estrangeiros. O flagrante mais grave ocorreu em Estrela do Sul (MG).

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Operação liberta quase 500 pessoas em trabalho análogo à escravidão
Operação liberta quase 500 pessoas em trabalho análogo à escravidãoFoto: Reprodução · Catavento

Entre os dias 1º e 31 de agosto, uma força-tarefa formada por auditores fiscais do Trabalho, Defensoria Pública da União e Polícia Federal realizou 231 fiscalizações em vários estados e resgatou 479 trabalhadores em situação análoga à escravidão. Outros 1.190 foram encontrados sem situação formal de emprego. Os dados são do Ministério Público do Trabalho.

Só em Minas Gerais, 208 trabalhadores foram resgatados. Entre as vítimas em todo o país estavam 13 crianças, 75 mulheres e 66 estrangeiros, vindos principalmente de países da América do Sul e da África. Todos receberam atendimento médico, encaminhamento para acolhimento social e orientações sobre seus direitos.

O flagrante mais grave, segundo o MPT, ocorreu em uma fazenda no município de Estrela do Sul, na região do Triângulo Mineiro, onde dezenas de trabalhadores imigrantes foram encontrados em situação degradante na colheita de batatas. A maioria era do Senegal e de Burkina Faso.

Eles trabalhavam sem acesso à água potável, banheiros, local adequado para refeições, equipamentos de proteção individual e ferramentas adequadas. Também não possuíam registro formal de trabalho e eram submetidos a jornadas exaustivas, transporte irregular sem segurança e péssimas condições de saúde.

O empregador assinou um Termo de Ajustamento de Conduta para garantir o pagamento de cerca de R$ 470 mil em verbas trabalhistas e rescisórias, cerca de R$ 320 mil em indenizações por danos morais individuais aos trabalhadores e mais R$ 80 mil por danos morais coletivos.

O caso de Estrela do Sul não é isolado. O número de resgates em agosto, quase 500, reforça um padrão que se repete em operações anteriores: condições degradantes concentradas em atividades agrícolas e com trabalhadores migrantes, muitos estrangeiros, que chegam ao país sem rede de apoio e com pouca margem para denunciar. A fiscalização pontual resolve o flagrante, mas não a engrenagem que o produz.

trabalho análogo à escravidão no Brasil como denunciar trabalho escravo

Caio Sttédile Marques
Sobre o autor · Crítico de Cinema e Streaming

Mapeia o que vale a pena na enxurrada de catálogo, do algoritmo à autoria.

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