O programa Viva Maria, da Rádio Nacional da Amazônia, celebrou o Dia da Amazônia, lembrado em 5 de setembro, com uma homenagem à pesquisadora e escritora Raquel Dourado da Silva. Ela é autora do livro "Espaços de Peregrinação: A Devoção nas Estradas da Siringa", que narra a chegada de populações nordestinas aos seringais durante o século XX, para a exploração da borracha, e a ressignificação da fé e da cultura nordestina na Floresta Amazônica.
A obra foi lançada recentemente na Reserva Extrativista Chico Mendes, em Assis Brasil, e também na capital acreana. Durante entrevista à apresentadora Mara Régia, Raquel compartilhou a emoção do retorno à comunidade na festa de Santa Raimunda do Bom Sucesso, onde reencontrou as populações extrativistas. A escritora destacou o significado de devolver o resultado de sua pesquisa aos devotos, que formaram filas para registrar suas histórias de fé na "santa dos seringais", uma parteira indígena sacrificada no trabalho de parto e canonizada pelo povo.
Raquel também ressaltou a dimensão cultural e ambiental desse catolicismo popular, lembrando que os territórios onde ocorrem mortes são reconhecidos pelos povos originários como sagrados. Diante das urgências climáticas atuais, a devoção dialoga com a militância pela conservação ambiental e com a busca por valorização social das famílias florestais. O livro teve boa receptividade na capital acreana, reunindo moradores e migrantes urbanos em torno de memórias compartilhadas.
A escritora já prepara o próximo lançamento, no Congresso Nacional da Pós-Graduação de Turismo, em Macapá, entre 23 e 25 de setembro. Para o público geral, a obra convida a peregrinar pelas Reservas Extrativistas e a compreender a essência da fé na Amazônia. O encontro encerrou-se em tom de celebração, reafirmando o compromisso com a defesa da floresta e de suas tradições.
