A Polícia Militar do Meio Ambiente resgatou 71 canários da terra em situação de maus-tratos nessa quarta-feira em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, leste de Minas Gerais. A operação começou como uma fiscalização sobre denúncias de maus-tratos a cães, mas terminou com a apreensão de aves nativas protegidas por lei.
No endereço, os militares encontraram 63 gaiolas com os 71 canários, todos sem anilha de identificação. As gaiolas estavam sujas, sem água limpa e com alimentação insuficiente. Quatro canários mortos foram achados no local. Também foram apreendidas armadilhas, alçapões e caixas usadas para transportar os animais.
O proprietário da casa, de 71 anos, disse aos policiais que já havia atuado como criador regularizado de aves silvestres, mas que desde 2018 não vinha fazendo os pagamentos de licenças e não tinha nenhuma documentação que autorizasse a criação. Ele foi autuado por maus-tratos, criação ilegal de animais silvestres e posse de equipamentos de captura. O valor das multas chegou a mais de 136 mil reais.
A Polícia Militar informou que as condições de saúde das aves foram avaliadas e, como apresentavam condições de serem devolvidas à natureza, foram levadas para uma área de mata e libertadas. As gaiolas, armadilhas e alçapões foram levados para um aterro sanitário na cidade e destruídos conforme prevê a legislação.
O caso expõe um padrão que se repete na fiscalização ambiental: a criação irregular de aves nativas costuma vir acompanhada de captura na natureza, o que pressiona populações já vulneráveis. O canário da terra é uma espécie muito visada por seu canto, e a ausência de anilha é o primeiro sinal de que a ave não nasceu em cativeiro autorizado. Para quem acompanha esse tipo de ocorrência, o dado que chama atenção não é o número de aves apreendidas, mas o tempo de operação sem licença: quase seis anos. A multa alta não devolve os quatro animais mortos, mas serve como indicativo de que a atividade ilegal tem custo. como denunciar maus-tratos a animais em Minas Gerais
