Análises e Críticas

Vendas do futebol feminino saltam 19%; Brasil tem recorde

ResumoO mercado internacional de futebol feminino registrou alta de 19% nas vendas de jogadoras na janela de meio de ano, totalizando 1.406 transferências entre países. O Brasil alcançou receita recorde com a negociação da atacante Kerolin, destacando-se no cenário global. Os dados apontam crescimento consistente do esporte feminino, com clubes brasileiros ampliando participação em negócios internacionais.

O mercado da bola das mulheres negociou 1.406 jogadoras entre países e cresceu 19% na janela de meio de ano. Brasil tem recorde de receita com venda de Kerolin. Veja os dados.

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Vendas do futebol feminino saltam 19%; Brasil tem recorde
Vendas do futebol feminino saltam 19%; Brasil tem recordeFoto: Reprodução · Catavento

O mercado da bola das mulheres negociou 1.406 jogadoras na janela de meio de ano, com alta de 19% sobre o mesmo período de 2025, segundo levantamento da Fifa divulgado nesta quinta-feira (3). Pelo terceiro ano consecutivo, mais de mil atletas foram negociadas entre países. O valor em dinheiro mais que dobrou: de US$ 12,3 milhões para US$ 28,6 milhões, equivalentes a R$ 146 milhões.

Uma das responsáveis pelo salto foi a brasileira Kerolin. A atacante de 26 anos foi negociada pelo Manchester City para o Barcelona por cerca de US$ 1,7 milhão, ou R$ 8,7 milhões. O valor ajudou o Brasil a registrar uma marca recorde de receita: US$ 748 mil (R$ 3,8 milhões), o 11º maior montante entre países. Em 2024, primeiro ano de dados da Fifa, entraram US$ 242 mil (R$ 1,2 milhão); em 2025, US$ 224 mil (R$ 1,1 milhão).

Faltando menos de um ano para a Copa do Mundo no Brasil, o mercado interno exportou pouco: 20 jogadoras saíram do país, sendo 14 para nações de pouca tradição na modalidade, como Israel (5), Portugal (3), Arábia Saudita, Albânia e Macedônia do Norte (2 cada). Em quantidade, o Brasil ficou na 20ª colocação. No gasto com atletas que atuam fora, investiu US$ 39,9 mil (R$ 204,6 mil).

Como no masculino, os europeus dominaram as negociações. A Inglaterra liderou em número de atletas, seguida por EUA, Itália, Alemanha e Espanha. Os clubes ingleses contrataram 125 jogadoras de outros países e venderam 95, com US$ 7,95 milhões investidos e US$ 3,97 milhões recebidos. Quem vendeu melhor, porém, foi a Suécia: 30 atletas deixaram o país, gerando US$ 4,19 milhões. Fora da Europa, os EUA arrecadaram US$ 1,32 milhão; na América do Sul, a Colômbia ficou em segundo, com US$ 20,4 mil.

Os números desta janela mostram um mercado feminino em expansão, ainda distante do masculino em valores brutos, mas com crescimento consistente. O recorde brasileiro de receita, impulsionado por Kerolin, indica que a próxima Copa do Mundo em casa pode acelerar ainda mais esse movimento. O que está no depósito também é história: a evolução das vendas reflete um ciclo de profissionalização que ganha força a cada temporada.

Benedita Lopes Aragão
Sobre o autor · Pesquisadora de Arte e Memória

Liga o presente da arte ao acervo esquecido, especialista em patrimônio cultural.

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